O Hospital de Cirurgia (HC), em Aracaju, completou nesta segunda-feira, 06/07, o primeiro semestre de atividades do novo Serviço de Transplantes e já contabiliza 27 procedimentos – 24 de rim e três de fígado. O balanço confirma a mudança de cenário para pacientes sergipanos que, até janeiro, precisavam se deslocar a outros estados em busca desse tipo de cirurgia.
O marco começou em 06/01/2026, quando o HC realizou o primeiro transplante renal após 13 anos de interrupção desse serviço na rede pública estadual. Menos de quatro meses depois, em 09/05, a instituição escreveu outra página histórica ao fazer o primeiro transplante hepático em Sergipe.
Os 24 transplantes renais executados entre janeiro e junho já superaram, em apenas meio ano, todos os 10 procedimentos registrados no estado entre 2018 e 2025, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Além da cirurgia, o hospital estruturou uma linha de cuidado multiprofissional que acompanha cada paciente desde a avaliação para inclusão na lista de espera até o pós-operatório, envolvendo médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos e fisioterapeutas. Até agora, cerca de 300 pessoas passaram por essa triagem.
“Em apenas seis meses, o Cirurgia recolocou Sergipe em um novo cenário na área de transplantes. Mais do que números, estamos falando de pessoas que hoje podem tratar-se perto de suas famílias, com acompanhamento especializado em todas as etapas”, destaca a interventora judicial do HC, enfermeira Márcia Guimarães.
Primeiro paciente transplantado pelo programa, o agricultor Josenaldo Oliveira, 25 anos, de Nossa Senhora da Glória, lembra que percorria quatro horas de viagem três vezes por semana para fazer hemodiálise em Itabaiana. Seis meses após receber o novo rim, ele voltou ao trabalho no campo.
“Nasci outra vez. O Hospital de Cirurgia foi um pai para mim, me acolheu do começo até agora”, relata Josenaldo, que continua sendo acompanhado no ambulatório do HC.
Para a chefe do Serviço de Transplante Renal, dra. Simone Oliveira, os resultados confirmam a consolidação do programa. Ela explica que existem cerca de 25 pacientes em lista de espera e que o número de pessoas avaliadas mostra a demanda reprimida em Sergipe.
“Conseguimos estruturar um serviço seguro e eficiente, com equipe capacitada, para oferecer esse tratamento à população sergipana”, afirma a nefrologista.
No campo hepático, o chefe do serviço, dr. Leandro Barros, ressalta que o investimento em infraestrutura foi decisivo. O HC construiu um novo centro cirúrgico e criou ambulatórios específicos para pacientes de rim e fígado.
“O transplante de fígado carimba a instituição como referência de alta complexidade. Agora os sergipanos não precisam mais sair do estado para esse procedimento”, observa o cirurgião.
A expectativa do hospital é ampliar gradualmente a capacidade de transplante, mantendo a política de acolhimento integral e fortalecendo parcerias com a Secretaria de Estado da Saúde para garantir que mais sergipanos tenham acesso a tratamentos de ponta sem deixar o território estadual.
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