Na sessão da Câmara de Aracaju, Meireles pediu que o presidente Ricardo Vasconcelos esclareça se o governador interferiu nas votações. Ele defendeu a autonomia da Câmara e cobrou transparência.
Durante a sessão ordinária mais recente da Câmara Municipal de Aracaju, o vereador Fábio Meireles (PDT) pediu a palavra para comentar declarações feitas pela prefeita Emília Corrêa. Segundo a chefe do Executivo da capital, o governador Fábio Mitidieri estaria influenciando votações no Legislativo aracajuano, interferindo em decisões como a derrubada de vetos e a tramitação de projetos de lei encaminhados pela Prefeitura.
Em tom firme, o parlamentar afirmou que considera indispensável preservar a autonomia da Casa e solicitou que o presidente Ricardo Vasconcelos esclareça publicamente se houve, de fato, qualquer orientação externa capaz de direcionar o posicionamento dos vereadores. Para ele, a simples suspeita de ingerência já coloca em xeque a credibilidade do parlamento municipal.
O parlamento tem liberdade para se posicionar
Nesse ponto do pronunciamento, Fábio Meireles reforçou que cada vereador é eleito para julgar as matérias de acordo com a própria consciência e com os interesses da população de Aracaju. Ele acrescentou que a Câmara deve exercer seu papel constitucional sem se submeter a pressões de outras esferas do poder público.
O vereador observou que a recente sequência de votações que contrariou projetos do Executivo pode ter sido interpretada, fora do plenário, como sinal de alinhamento a pautas do Governo do Estado. No entanto, argumentou que divergências fazem parte da dinâmica democrática e não significam, necessariamente, obediência a orientações políticas ou partidárias.
Ao comentar a repercussão da reunião reservada convocada por Emília Corrêa com a base governista na própria Câmara, Meireles ponderou que compreender as motivações dos colegas é crucial para manter o debate em nível institucional. Ele insistiu que dúvidas sobre suposta articulação externa precisam ser apuradas com transparência.
Eu queria entender o que é que verdadeiramente está acontecendo
Na avaliação do pedetista, a relação entre Prefeitura, Câmara e Governo do Estado deve ser pautada por diálogo aberto, mas sempre respeitando os limites de cada Poder. Ele alertou que atribuir aos vereadores uma possível submissão ao Palácio dos Despachos sem provas concretas alimenta desconfianças na opinião pública e fragiliza a imagem do Legislativo.
A fala de Meireles encerrou-se com o apelo para que qualquer eventual tentativa de ingerência seja formalmente denunciada e discutida em plenário. O vereador declarou que continuará vigilante quanto à independência da Câmara, frisando que a crítica à influência política não pode se converter em acusação generalizada contra a atuação individual de cada parlamentar.
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