Profissionais da saúde, pesquisadores e pacientes terão dois dias inteiros para trocar experiências e atualizar conhecimentos sobre terapias com cannabis. O Aju Cannabis Summit está marcado para os dias 24 e 25 de setembro, no Del Mar Hotel, na Orla de Aracaju, e, de acordo com a organização, pretende fortalecer o debate científico sobre a planta e ampliar o acesso a informações seguras para quem busca alternativas de tratamento.
O advogado Maurício Lobo, especialista em direito à saúde e cannabis medicinal, explica que a proposta do encontro é aproximar, no mesmo espaço, quem pesquisa, quem prescreve e quem utiliza os produtos. Para ele, eventos desse porte ajudam a consolidar uma rede de apoio que começa na geração de evidências e termina no acompanhamento clínico.
“Queremos discutir a cannabis medicinal a partir de dados científicos, protocolos clínicos e relatos de pacientes, sempre com acompanhamento profissional”, afirmou.
A programação contará com mesas sobre aplicações já validadas em epilepsias de difícil controle, dores crônicas e cuidados paliativos, além de painéis que abordam possíveis benefícios em transtorno do espectro autista, saúde mental e saúde da mulher. Também estão previstos minicursos sobre prescrição, regulação sanitária e aspectos jurídicos.
Maurício Lobo lembra que Aracaju aprovou, em 2024, a Lei Municipal nº 6.027, que cria política de incentivo à pesquisa e ao acesso a formulações à base de cannabis. Segundo ele, o Summit surge no momento certo para “tirar o texto do papel” e discutir diretrizes que facilitem a vida de quem depende desses medicamentos.
O convidado destaca, ainda, o potencial de Sergipe para se tornar polo em estudos sobre o tema. Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade Tiradentes (Unit) já desenvolvem projetos sobre canabinoides, e há expectativa de expansão, caso parcerias com centros de fora do estado avancem.
“Temos corpo técnico qualificado, condições climáticas e marcos regulatórios que podem atrair investimentos em pesquisa e cultivo experimental dentro das regras dos órgãos de fiscalização”, observou.
Parte dos debates será dedicada a esclarecer dúvidas frequentes, sobretudo a diferença entre uso medicinal, que exige prescrição e produtos regularizados, e consumo recreativo. Lobo reforça que jovens sem recomendação médica não devem utilizar derivados com THC, pois há risco de agravar quadros de ansiedade ou outras condições psiquiátricas.
O Aju Cannabis Summit será gratuito, porém as vagas são limitadas. Inscrições estão disponíveis nas redes sociais da Associação Salvar, responsável pela organização. A expectativa é reunir gestores públicos, profissionais de diversas áreas da saúde, estudantes, pacientes e familiares, criando um ambiente plural para discutir políticas públicas, financiamento de pesquisas e formas de tornar os tratamentos mais acessíveis.
Com a realização do encontro, Aracaju entra definitivamente no circuito de eventos científicos dedicados à cannabis medicinal no país, sinalizando que o estado quer participar ativamente das discussões sobre regulamentação, inovação e redução de preconceitos em torno do tema.
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