Nova York, EUA – Investidores movimentaram o equivalente a US$ 320 milhões em contratos de petróleo apenas 15 minutos antes de Donald Trump anunciar, na Truth Social, possíveis avanços diplomáticos com o Irã, o que fez o barril despencar 14% naquela segunda-feira, às 8h04 (Brasília).
- Em resumo: Volume atípico de contratos minutos antes do post levanta suspeita de uso de informação privilegiada.
Como a movimentação foi detectada
Dados da New York Mercantile Exchange (Nymex) mostram que, às 7h49, foram registrados 733 contratos de WTI; um minuto depois, o número saltou para 2.007, alcançando US$ 170 milhões. No Brent, o avanço foi de 20 para 1,6 mil contratos, somando US$ 150 milhões. Segundo analistas, volume semelhante costuma aparecer apenas após a abertura oficial do mercado americano. Relatório técnico disponível no Banco Central aponta que oscilações bruscas exigem apuração de possíveis vazamentos de informação.
Para o especialista Mukesh Sahdev, da XAnalysts, não havia indícios públicos de diálogo entre Washington e Teerã que justificassem apostas tão agressivas na queda do preço.
“Um pouco antes da postagem na mídia social, muitas pessoas compraram contratos que os permitiriam lucrar com a queda do preço do petróleo”, observou Rachel Winter, da Killik & Co.
O que está em jogo para investidores e reguladores
A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) e a Financial Conduct Authority britânica foram acionadas para analisar se ocorreu uso de informação privilegiada, crime que pode resultar em multas milionárias e prisão.
Enquanto isso, o governo iraniano negou qualquer negociação, classificando a mensagem de Trump como “fake news destinada a manipular mercados”. A volatilidade continuou: bolsas asiáticas oscilaram forte nas horas seguintes, e o barril voltou a superar US$ 100 na terça-feira.
Casos recentes, como a aposta bem-sucedida contra o governo Maduro em janeiro, mostram que eventos geopolíticos têm sido seguidos de operações financeiras relâmpago, aumentando a pressão por transparência.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC
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