Os mercados da Argentina registraram forte recuperação nesta segunda-feira (22) depois que o governo norte-americano indicou disposição para oferecer suporte econômico a Buenos Aires. Papéis de empresas argentinas negociados em Nova York avançaram mais de 10%, títulos soberanos em dólar ganharam até 6,7 centavos e o peso valorizou 2% frente à moeda norte-americana.
Em entrevista, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que “todas as opções estão sobre a mesa”, citando possíveis linhas de swap, compras diretas de divisas e aquisição de dívida argentina emitida em dólares. Bessent classificou a Argentina como “aliado sistêmico importante” de Washington na América Latina.
Encontro Milei-Trump e medidas internas
Bessent informou ainda que os presidentes Javier Milei e Donald Trump têm reunião marcada para terça-feira (23). Horas antes, o Executivo argentino suspendeu temporariamente o imposto de exportação sobre todos os grãos até 31 de outubro, período que abrange a eleição de meio de mandato, prevista para o dia 26.
Contexto de volatilidade
O alívio chega após semanas de perdas: desde o início do ano, os títulos argentinos caíram mais de 20% e o peso tocou o piso da banda cambial criada meses atrás. O ambiente piorou com denúncias de corrupção envolvendo aliados de Milei e uma derrota inesperada do governo na eleição local da Província de Buenos Aires.
Para Alejo Czerwonko, diretor de investimentos do UBS para emergentes nas Américas, a sinalização de Washington “funciona como disjuntor em uma conjuntura frágil” e oferece a Milei “janela crítica” para reorganizar a política econômica antes da votação de outubro.
Desempenho dos ativos
- Índice de ações argentinas em Nova York: +11,9%
- Bônus 2046: +6,7 centavos, cotado a US$ 0,5385
- Peso: R$ 1.446 por dólar, alta de 2% após venda de mais de US$ 1 bilhão em reservas na semana passada
Mesmo com a recuperação, os rendimentos dos eurobônus seguem entre 16% e 26% ao ano. A analista Kathryn Exum, da Gramercy Funds Management, avalia que eventual apoio financeiro norte-americano, somado à suspensão dos tributos de exportação, pode reduzir a utilização das reservas cambiais – hoje em níveis considerados insustentáveis.
Segundo Exum, a rapidez com que o governo ajustar políticas após o pleito de outubro determinará o rumo dos preços dos títulos e a necessidade de renegociação da dívida a partir de 2026.
Para entender como funcionam as linhas de swap entre bancos centrais, consulte a explicação oficial do Federal Reserve dos Estados Unidos.
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Continue acompanhando nossas atualizações para saber como o desfecho político de outubro poderá influenciar os mercados argentinos.
Com informações de G1
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