Brasília – O Banco Central (BC) rejeitou, na noite de 3 de setembro, a aquisição de 58% do capital do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O negócio, estimado em R$ 2 bilhões, vinha sendo negociado desde março e enfrentava questionamentos judiciais, pressões políticas e análises de órgãos de controle.
Como começou a operação
No fim de março, o conselho de administração do BRB aprovou a compra de participação no Master. A instituição comandada por Daniel Vorcaro buscava reduzir custos de captação, já que emitia CDBs com rendimento até 40% acima da taxa básica de juros e mantinha carteira concentrada em precatórios e empresas em dificuldades.
Questionamentos judiciais e investigações
Em 1º de abril, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e o Ministério Público de Contas do DF solicitaram informações sobre a transação. Na sequência, o Ministério Público Federal abriu duas apurações preliminares para verificar possíveis crimes contra o sistema financeiro. Em maio, o Tribunal de Justiça do DF suspendeu a assinatura do contrato por falta de autorização legislativa e de assembleia de acionistas; a decisão foi revogada em segunda instância poucos dias depois.
Parecer positivo do Cade
Em junho, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o negócio sem restrições, entendendo que a participação combinada das instituições não ultrapassava 20% em nenhum mercado relevante.
Autorização legislativa no DF
O governo Ibaneis Rocha (MDB) enviou projeto de lei à Câmara Legislativa em 14 de agosto autorizando a compra. O texto foi aprovado em 19 de agosto e sancionado no dia seguinte, liberando o BRB para adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master.
Pressões políticas
A operação tornou-se alvo de críticas de parlamentares da oposição e de lideranças do Centrão. Um pedido de urgência para projeto que permite ao Congresso destituir diretores do BC ganhou força, mirando o diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, que defendia análise mais rígida dos ativos do Master.
Decisão final do Banco Central
O veto do BC foi comunicado pelo BRB em fato relevante. A instituição pública solicitou acesso integral à decisão para estudar “alternativas cabíveis”. O Banco Master também aguarda o documento e afirma manter confiança em sua estratégia.
Até o fechamento desta reportagem, o Banco Central não detalhou publicamente os motivos do indeferimento.
O processo encerra, por enquanto, uma das disputas mais acompanhadas do setor bancário em 2025.
Para entender como o BC regula operações societárias, acesse o site oficial do Banco Central.
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Com informações de g1
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