Brasília – O Banco de Brasília (BRB) informou, na noite desta sexta-feira (5), que ainda não recebeu a íntegra do processo que embasou a decisão do Banco Central do Brasil (BC) de reprovar a aquisição do Banco Master.
Em comunicado ao mercado, a instituição estatal destacou que somente após obter todos os documentos avaliará “de forma técnica e fundamentada” quais alternativas poderá adotar. O BRB reafirmou que manterá acionistas e investidores atualizados assim que concluir a análise interna.
Pedido de acesso ao processo
Na última terça-feira (3), o BRB já havia solicitado ao BC a íntegra do parecer. Na ocasião, classificou a operação como estratégica e apontou potencial de geração de valor para o banco, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional.
O Banco Master, por sua vez, também aguarda o conteúdo completo da decisão para examinar possíveis medidas. Até o momento, o Banco Central não se pronunciou publicamente sobre o veto.
Detalhes da operação
Anunciado em março, o acordo previa que o BRB compraria 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master. O aval do BC seria o último passo para a conclusão do negócio, já que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a transação em junho.
O BRB é sociedade de economia mista, de capital aberto, controlada majoritariamente pelo governo do Distrito Federal (71,92%). Além do DF, o banco atua no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Paraíba.
Pressão política
A rejeição do BC ocorreu um dia depois de líderes do Centrão na Câmara dos Deputados apresentarem pedido de urgência para um projeto que permitiria ao Congresso demitir diretores da autoridade monetária. O requerimento foi protocolado pelo deputado Claudio Cajado (PP-BA).
Nesta quarta (4), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou preocupação com a proposta e defendeu autonomia administrativa para o Banco Central, sem transformá-lo em pessoa jurídica de direito privado.
Estratégia de captação do Master
O Banco Master cresceu adotando captação considerada de risco elevado por analistas, ofertando CDBs com juros acima da média do mercado e contando com a cobertura de até R$ 250 mil oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Recentemente, o BC e o Conselho Monetário Nacional aprovaram novas regras para reduzir o risco moral nesse tipo de operação, com início de vigência em 1.º de junho de 2026.
Mais detalhes sobre o funcionamento do FGC podem ser consultados no site oficial do Banco Central do Brasil.
O modelo de negócios do Master inclui ainda investimentos em ativos de menor liquidez, como precatórios e participações societárias, o que gerou questionamentos sobre a saúde financeira da instituição.
Enquanto aguarda a documentação, o BRB não confirma se recorrerá da decisão nem estabelece prazo para anunciar os próximos passos.
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Com informações de G1




