TRANSMISSÃO: Record
O forte ingresso de recursos internacionais, que somou R$ 42,56 bilhões nos dois primeiros meses de 2026, colocou o Ibovespa em seu maior patamar histórico — mais de 190 mil pontos. No entanto, a ampliação do conflito no Oriente Médio, após ações militares de Estados Unidos e Israel contra o Irã no último sábado, devolveu parte dos ganhos e levou o índice de referência da B3 a recuar cerca de 4,4%, retornando à faixa dos 180 mil pontos.
Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que o saldo estrangeiro observado em janeiro e fevereiro é o terceiro mais elevado para o período na última década. O movimento, segundo analistas do mercado, explica a sequência de 13 recordes do Ibovespa apenas em 2026.
Por que o investidor externo voltou?
Especialistas apontam quatro fatores principais para a retomada do apetite estrangeiro:
• Selic em 15% ao ano, nível que mantém o Brasil entre as maiores taxas reais do mundo;
• Valorações consideradas baixas de empresas brasileiras quando convertidas em dólar;
• Estratégias de diversificação que recolocam o país nos portfólios globais;
• Maior liquidez internacional, que direciona parte do capital para mercados emergentes.
Efeitos da guerra sobre o mercado
A escalada das hostilidades no Oriente Médio elevou a busca global por segurança — fenômeno conhecido como “flight to quality”. Nesses momentos, fundos reduzem posições em ações e migram para ativos como dólar e ouro, explicam Flávio Conde, da Levante Inside Corp, e Ângelo Belitardo, da Hike Capital.
Para Conde, fatores estruturais — como a expectativa de queda gradual dos juros locais e a percepção de que as blue chips brasileiras ainda estão descontadas — podem manter o fluxo externo positivo, mesmo que em ritmo menor enquanto durar a tensão geopolítica. Já Belitardo avalia que, se o conflito se prolongar, o índice pode perder fôlego no curto prazo, acompanhando a cautela global.
Analistas também veem eventual correção de preços como oportunidade de compra, considerando a possibilidade de o Ibovespa retomar a tendência de alta e testar o nível de 200 mil pontos assim que o ambiente internacional mostrar sinais de estabilização.
Perspectiva regional
Em Sergipe, agentes financeiros acompanham o vaivém do mercado nacional para ajustar carteiras de investimento, sobretudo de clientes interessados em renda variável — segmento que ganhou relevância no estado com a popularização das plataformas digitais.
Fonte: g1
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