O Ministério do Comércio da China divulgou na semana passada o “Anúncio nº 62 de 2025”, impondo novas exigências para a saída do país de produtos que contenham terras raras. A medida reacendeu a disputa comercial com os Estados Unidos ao lembrar Washington da dependência global desses 17 elementos químicos fundamentais para tecnologias de ponta.
O que muda com o anúncio
Pelas novas regras, empresas estrangeiras só poderão despachar mercadorias com terras raras após autorização expressa de Pequim e deverão informar o uso final dos materiais. A China detém quase o monopólio mundial tanto da extração quanto do refino desses minerais, utilizados em smartphones, painéis solares, veículos elétricos e equipamentos militares — um caça F-35, por exemplo, necessita de mais de 400 quilos de terras raras em seus sistemas.
Reação dos Estados Unidos
Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifa extra de 100% sobre produtos chineses, além de estudar restrições a softwares estratégicos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou: “Eles apontaram uma bazuca para as cadeias de suprimentos do mundo livre, e nós não vamos permitir isso”. Pequim rebateu, acusando Washington de “provocar desentendimentos e pânico desnecessário”.
Tensão reavivada
O embate acontece após meses de trégua anunciada em maio. Nesta semana, os dois países também elevaram taxas portuárias sobre embarcações um do outro, e Trump deve se reunir ainda em outubro com o presidente Xi Jinping na tentativa de retomar o diálogo.
Vantagem estratégica chinesa
Especialistas ouvidos pela BBC consideram que o controle sobre terras raras dá vantagem à China nas negociações. Segundo a consultoria Newland Global Group, o país responde por cerca de 70% do suprimento mundial de metais usados em ímãs de motores de veículos elétricos. Para a professora Sophia Kalantzakos, da Universidade de Nova York, embora as terras raras representem menos de 0,1% do Produto Interno Bruto chinês, seu valor estratégico é “enorme”.
Alternativas fora da Ásia
A Austrália possui grandes reservas, mas a infraestrutura de processamento ainda é limitada, o que encarece a produção. No Brasil, pesquisas acadêmicas acumuladas ao longo de décadas indicam que até 23% das reservas conhecidas podem estar no território nacional, especialmente em Minas Gerais, Goiás e Amazônia. Entretanto, o país responde por menos de 1% da oferta global.
Próximos passos
Analistas apontam que Washington pode oferecer redução de tarifas ou impor novos limites a semicondutores avançados para pressionar Pequim. No entanto, a capacidade chinesa de interromper cadeias globais de suprimento coloca os EUA em posição delicada no curto prazo.
Trump e Xi Jinping deverão discutir o tema em encontro previsto para este mês, num momento em que as restrições chinesas já provocaram queda superior a 30% nas exportações de terras raras do país em setembro, comparado ao mesmo período de 2024.
Com informações de g1
De acordo com levantamento do United States Geological Survey (USGS), a produção mundial de terras raras atingiu 300 mil toneladas em 2024, reforçando a importância desses materiais para a segurança energética e tecnológica.
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O controle chinês sobre as terras raras volta a colocar pressão sobre Washington e reforça a urgência de diversificar cadeias de suprimentos. Continue acompanhando nosso site para atualizações e análises desse tema crucial para a economia global.




