
Piracicaba (SP) — As chuvas torrenciais que atingiram o interior de São Paulo em janeiro derrubaram a qualidade das frutas cítricas e esfriaram o mercado da laranja no estado. A avaliação é do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da USP, com sede em Piracicaba.
Umidade favorece podridões e fungos
De acordo com o Centro, “a umidade excessiva elevou a incidência de podridões e de fungos nos pomares”. Parte da produção destinada à indústria foi perdida, enquanto outra parcela chegou ao mercado com padrão inferior, aumentando a pressão sobre as cotações em um ambiente que já registrava oferta elevada.
Mercado spot mais contido
O recebimento de frutas no mercado spot permanece limitado, já que as indústrias estão focadas no cumprimento dos últimos contratos firmados e no processamento de fruta própria. Os preços pagos a prazo mostram leve recuo de quase 2% na segunda quinzena de janeiro.
Queda nas cotações
A caixa de 40 quilos da laranja-pera in natura passou de R$ 43, em 12 de janeiro, para R$ 41 no dia 30, segundo o Cepea.
Volumes de chuva elevados
Em 29 de janeiro, Limeira registrou 55 mm de chuva em apenas duas horas, conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Na mesma noite, Piracicaba acumulou 65 mm.
Impacto na laranja de mesa
A expectativa é de que o consumidor sinta mais rapidamente os efeitos na laranja de mesa, selecionada para consumo in natura, já que a oferta de frutas de boa qualidade tende a cair.
Greening continua no radar
O Cepea lembra que o greening, doença bacteriana considerada a mais destrutiva da citricultura, segue avançando. Um convênio firmado na Esalq criou o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros), que prevê R$ 90 milhões para investimentos em pesquisa, transferência de tecnologia e educação nos próximos cinco anos.

Relatório do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) mostra que Limeira lidera o ranking de incidência do greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, com 79,38% dos pomares afetados em 2024.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirma que janeiro ficou entre os meses mais chuvosos dos últimos anos na região, reforçando as dificuldades enfrentadas pelos citricultores.
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Resumo: As chuvas de janeiro reduziram a qualidade da laranja, provocaram perdas na indústria e derrubaram preços no mercado spot paulista. Especialistas alertam para a combinação de umidade excessiva e avanço do greening, que mantém o setor em alerta. Continue acompanhando nossas publicações para entender os desdobramentos dessa safra.
Com informações de g1
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