O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve, na segunda-feira (26/01/2026), um telefonema de 50 minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No diálogo, os dois chefes de Estado trataram da situação política na Venezuela e acertaram que Lula viajará a Washington nos próximos meses.
Segundo nota do Palácio do Planalto, Lula reiterou “a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”. Foi o primeiro contato direto entre os presidentes desde que tropas norte-americanas invadiram a Venezuela no início de janeiro, derrubando Nicolás Maduro, atualmente preso em território dos EUA.
Críticas de Lula à ação militar
Antes da ligação, o brasileiro já havia condenado publicamente a operação. Na sexta-feira (23), classificou o episódio como “falta de respeito” e afirmou que a América Latina “não vai abaixar a cabeça para ninguém”. Lula também disse que o mundo atravessa um momento “muito crítico” e que a Carta da ONU está sendo “rasgada” pela “lei do mais forte”.
Convite para o Conselho da Paz
Trump apresentou a Lula um convite para que o Brasil integre o Conselho da Paz, órgão recém-criado pelo governo norte-americano. O presidente brasileiro não confirmou adesão e sugeriu que a iniciativa se concentre em questões humanitárias na Faixa de Gaza, com a inclusão de um assento para a Palestina nas discussões.
Diplomatas ouvidos pelo governo avaliam que o Brasil pedirá esclarecimentos técnicos sobre o estatuto do colegiado antes de responder. A chancelaria vê com cautela um fórum presidido de forma permanente pelos EUA e apoiado abertamente por apenas um dos lados do conflito.
Reforma da ONU em pauta
A conversa também serviu para que Lula defendesse, outra vez, a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, tema que ele promove desde 2002.
Economia e cooperação
Os presidentes avaliaram o cenário econômico de seus países e consideraram promissoras as perspectivas de crescimento. O Planalto informou que a Casa Branca já retirou parte das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Lula manifestou interesse em ampliar a cooperação no combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, no congelamento de bens de grupos criminosos e no intercâmbio de dados financeiros, pauta que, segundo o governo, recebeu apoio de Trump.
Os dois líderes voltaram a se encontrar em compromissos internacionais na Malásia, mantendo a aproximação diplomática iniciada nos últimos meses.

Os próximos passos incluem a definição de data para a visita oficial de Lula aos Estados Unidos, que deverá ocorrer ainda no primeiro semestre.
Com informações de g1.globo.com
O pedido de revisão da Carta das Nações Unidas foi mencionado por Lula durante a ligação; o documento pode ser consultado na íntegra no site oficial da ONU neste link.
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