Brasília – A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos contabiliza 12 trimestres consecutivos de resultado negativo e fechou o primeiro semestre de 2025 com déficit de R$ 4,36 bilhões. Para conter a crise, a estatal anunciou, em 15 de outubro, a intenção de contratar empréstimo de R$ 20 bilhões, valor que seria usado para liquidar dívidas recentes e recompor a liquidez.
Série histórica de perdas
Desde 2022, os Correios não registram lucro. O prejuízo alcançou R$ 2,6 bilhões em 2024, primeiro resultado bilionário desde 2016. A redução de receitas e a elevação de despesas colocaram a empresa em situação crítica, levando à tomada de R$ 550 milhões em empréstimos no fim de 2024 e mais R$ 1,8 bilhão em junho de 2025.
Peso da folha de pagamento
Os gastos com pessoal são apontados como principal fator de pressão nas contas. Dois reajustes salariais concedidos em 2022 aumentaram a despesa em R$ 820,5 milhões. No ano seguinte, o impacto chegou a R$ 1,3 bilhão. Em 2024, novo acordo coletivo elevou a folha em R$ 894 milhões e, apenas no primeiro semestre de 2025, mais R$ 547 milhões.
Além disso, a estatal assumiu dívida de R$ 2,4 bilhões com a PREVIC referente ao Plano de Benefício Definido de aposentadoria, corrigida pelo INPC ao longo de 349 meses, e provisionou outros R$ 5,4 bilhões para futuros compromissos.
‘Remessa Conforme’ derruba receitas
O programa federal “Remessa Conforme”, em vigor desde 2023, permitiu que transportadoras privadas distribuíssem encomendas internacionais e instituiu imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50. Estudo interno aponta frustração de receita de R$ 2,2 bilhões para os Correios.
Em 2024, a receita com encomendas do exterior caiu R$ 531 milhões frente a 2023. No primeiro semestre de 2025, a queda foi de mais R$ 1,3 bilhão, reduzindo a participação desse mercado no faturamento total, que já chegou a representar 25%.
Caixa esvaziado e endividamento
O caixa disponível recuou de R$ 3,2 bilhões em 2023 para R$ 249 milhões em 2024, uma queda de 92%. Sem fôlego, a empresa atrasou pagamentos a fornecedores, adiando obrigações que somam R$ 2,75 bilhões. Os empréstimos contratados têm custo estimado de R$ 436 milhões em juros.
Investimentos mantidos
Mesmo em crise, os Correios investiram R$ 830 milhões em 2024, totalizando R$ 1,6 bilhão em dois anos. Os recursos contemplaram a compra de 50 furgões elétricos, 3.996 bicicletas cargo, 2.306 bicicletas elétricas e 1.502 veículos para renovação de frota, alinhados a um plano de transição ecológica.
Precatórios em alta
Após acordo de desistência de recursos no Tribunal Superior do Trabalho, as despesas com precatórios triplicaram, alcançando R$ 1,6 bilhão em junho de 2025. A estatal projeta desembolsar R$ 913 milhões em 2025 e R$ 1 bilhão em 2026, valores que podem crescer com novas derrotas judiciais.
Rede deficitária
Dos 10.638 pontos de atendimento, apenas 15% operam com superávit. Apesar disso, a empresa é obrigada, como integrante da União Postal Universal, a manter cobertura nacional.
Medidas de contenção
O plano apresentado pela atual gestão prevê:
- novo Plano de Demissão Voluntária;
- venda de imóveis ociosos (até agora, R$ 2,9 milhões levantados);
- renegociação de contratos com fornecedores;
- diversificação de serviços e lançamento de marketplace próprio;
- reestruturação da malha logística e redução de custos administrativos.
A captação de R$ 20 bilhões é considerada essencial para financiar o PDV, quitar dívidas de curto prazo e recuperar a liquidez entre 2025 e 2026.
Debate sobre privatização
Nos bastidores da Esplanada, volta a ganhar força a possibilidade de privatização da estatal. Especialistas defendem discutir o tema de forma pragmática, embora reconheçam dificuldades de modelagem para garantir atendimento universal, inclusive em localidades deficitárias.
Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, empresas estatais que registram déficits sucessivos precisam apresentar plano de sustentabilidade financeira para manter aportes e investimentos.
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Os próximos meses serão decisivos para a estatal: enquanto busca R$ 20 bilhões no mercado, a direção corre contra o tempo para cortar gastos, aumentar receitas e evitar novos atrasos financeiros. Continue acompanhando nossas atualizações e receba as informações mais recentes sobre o futuro dos Correios.
Com informações de g1
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