Brasília – O orçamento preliminar dos Correios para 2026, publicado nesta terça-feira (30) no Diário Oficial da União, aponta retração de 26% nas receitas e acréscimo de 21% nas despesas correntes da estatal.
Receitas encolhem
A empresa calcula faturar R$ 17,7 bilhões em 2026, ante R$ 24 bilhões projetados para 2025 e R$ 20,6 bilhões previstos para 2024. Até setembro de 2025, o caixa acumulava R$ 12,3 bilhões, 60% da meta anual, exigindo entrada de R$ 8,3 bilhões apenas no último trimestre para atingir a previsão.
Despesas sobem
Os gastos correntes devem avançar de R$ 24 bilhões em 2025 para R$ 29 bilhões em 2026. Só a folha de pagamento passa de R$ 14,2 bilhões para R$ 15,7 bilhões, alta de 10,5%. O demonstrativo inclui custos com o Programa de Demissão Voluntária (PDV), que pode desligar até 10 mil empregados. Já as despesas com dirigentes caem de R$ 13,9 milhões para R$ 8,8 milhões, recuo de 33,48%.
Empréstimo de R$ 12 bilhões
A estatal recebeu ontem (30) R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões contratados com um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O contrato, garantido pela União e válido até 2040, prevê carência de três anos e início dos pagamentos em dezembro de 2029, à taxa de 115% do CDI.
Segundo o presidente Emmanoel Rondon, Banco do Brasil, Caixa e Bradesco aportam R$ 3 bilhões cada; Itaú e Santander, R$ 1,5 bilhão cada. Ele admite a possibilidade de novo financiamento de até R$ 8 bilhões, ainda em estudo.
Plano de reestruturação
Para conter perdas, os Correios pretendem:
- reduzir R$ 2,1 bilhões em custos com pessoal;
- vender R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais;
- fechar mil agências deficitárias;
- reformular o plano de saúde, economizando R$ 500 milhões anuais.
A meta é equilibrar as contas em 2026 e voltar ao lucro em 2027, após 12 trimestres seguidos de prejuízos — somente no primeiro semestre de 2025 o resultado negativo foi de R$ 4,3 bilhões.
Participação de mercado em queda
O market share em encomendas caiu de 51% em 2019 para 22% em 2025, influenciado pelo programa Remessa Conforme, que permitiu a empresas privadas de logística distribuir compras internacionais de até US$ 50.
Investimentos futuros
Entre 2027 e 2030, estão previstos R$ 4,4 bilhões em investimentos, financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, voltados à automação de centros de tratamento, renovação de frota, modernização de TI e redesenho logístico.
Com o novo orçamento, a direção da companhia espera atravessar um cenário de receitas menores e despesas maiores, enquanto busca recursos adicionais e implementa o plano de reestruturação para recuperar a saúde financeira.
Com informações de G1
De acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional, operações de crédito com garantia da União somavam R$ 407 bilhões até novembro de 2025, reforçando a preocupação com o aumento do endividamento público.
Para acompanhar outras notícias sobre gestão pública, visite a seção de Política do nosso portal.
Resumo: os Correios projetam queda expressiva de receitas, alta de despesas e dependem de novo empréstimo para manter o caixa. Acompanhe nosso site e receba atualizações sobre finanças públicas e economia.




