O ritmo de criação de vagas na Europa perdeu força e colocou em evidência as incertezas sobre o futuro do trabalho no continente. Pressionadas por um cenário econômico frágil e pela perspectiva de maior automação, empresas têm reduzido a abertura de postos e avaliado cortes de pessoal.
Mercado esfria após euforia da “Grande Demissão”
Durante e logo após a pandemia de covid-19, programas públicos de apoio permitiram licenças remuneradas e jornadas reduzidas, favorecendo trabalhadores. A flexibilização do trabalho remoto e a Grande Demissão — onda de pedidos voluntários de desligamento — ampliaram a demanda por mão de obra. Pesquisa da McKinsey, realizada em 2022, mostrou que um terço dos profissionais europeus cogitava trocar de emprego em até seis meses.
Esse quadro mudou rapidamente. “Com menos vagas disponíveis e um clima econômico mais duro, os funcionários pensam duas vezes antes de se movimentar”, observa Angelika Reich, da consultoria Spencer Stuart.
Crescimento menor e migração estabilizada
Projeção do Banco Central Europeu aponta que o emprego na zona do euro — bloco de 21 países — deve avançar 0,6% em 2024, ritmo inferior aos 0,7% estimados para 2025. Cada variação de 0,1 ponto percentual representa cerca de 163 mil vagas a menos. Em 2021, o bloco criou 2,76 milhões de empregos, com expansão de 1,7%.
A migração, que ajudou a aliviar a escassez de trabalhadores, também dá sinais de estagnação ou queda, limitando a oferta de força de trabalho.
Alemanha puxa o freio; Espanha mostra resiliência
Na Alemanha, 35% das empresas planejam enxugar quadros em 2024, segundo o instituto IW. O Banco da França projeta que o desemprego local chegue a 7,8%, enquanto no Reino Unido economistas consultados pelo The Times preveem alta para até 5,5% (atualmente 5,1%). Polônia, Romênia e República Tcheca registram tendência semelhante.
Apesar do cenário geral, algumas economias seguem contratando. Espanha, impulsionada pelo turismo, além de Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia, devem manter geração de empregos, de acordo com o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional.
Setores industriais sentem o impacto
A indústria alemã perdeu mais de 120 mil postos nos últimos meses, principalmente nos segmentos automotivo, de máquinas, metalurgia e têxtil. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) manufatureiro da zona do euro recuou para 48,8 em dezembro — patamar inferior a 50 indica contração.
Manchetes sobre cortes têm afetado a reputação de setores tradicionais. “Muitos recém-formados acreditam que não há futuro no ramo automotivo”, afirma Bettina Schaller Bossert, da World Employment Confederation.
Automação amplia incertezas
Embora a adoção de inteligência artificial (IA) na Europa aconteça em ritmo mais lento que nos Estados Unidos e na China, o temor de substituição persiste. Pesquisa da EY mostrou que 25% dos trabalhadores europeus veem risco direto de perda de emprego, e 74% acreditam que as empresas precisarão de equipes menores por causa da tecnologia.
O Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), da Alemanha, estima que 1,6 milhão de postos no país poderão ser transformados ou extintos pela IA até 2040, enquanto cerca de 110 mil novas posições podem surgir no setor de tecnologia.
Para John Springford, do Centro para a Reforma Europeia, a automação deve realocar, e não eliminar totalmente, o trabalho humano. Ainda assim, expressões como Grande Hesitação e career cushioning — planos de contingência carreira — ganham força entre trabalhadores que temem mudanças bruscas.
Apesar das pressões, especialistas lembram que há demanda persistente em áreas como varejo, saúde, logística e engenharia, indicando que a desaceleração não atinge todos os ramos de forma homogênea.
Com informações de G1
Dados detalhados sobre os níveis de desemprego em cada país da União Europeia podem ser consultados no portal oficial da Eurostat.
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Em resumo, a Europa enfrenta um período de cautela nas contratações, marcado pela desaceleração industrial e pelos receios em torno da IA. Continue navegando para ficar por dentro de atualizações e análises sobre o mercado de trabalho.
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