Durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras, na sexta-feira, 29/05, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um recado direto às autoridades norte-americanas após a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
“Comando Vermelho e PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. São terroristas e vamos combatê-los aqui dentro”, disse Lula.
O presidente afirmou que a medida de Washington não contribui para o enfrentamento do crime no país e rejeitou qualquer possibilidade de intervenção externa. Ele lembrou que o Congresso aprovou recentemente uma lei antifacção e reforçou que o governo federal investe em inteligência e integração policial para sufocar as quadrilhas.
Em tom firme, Lula cobrou respeito dos EUA.
“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui não é um país qualquer. É um país muito grande.”
O chefe do Executivo também relacionou o avanço do crime organizado ao fluxo de armas que entram no Brasil a partir do território norte-americano. Segundo ele, um verdadeiro esforço conjunto teria de começar por leis mais duras contra o contrabando e contra a lavagem de dinheiro em paraísos fiscais dentro dos próprios EUA.
“Entreguei um documento para o Trump dizendo que o Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado. Vamos começar pelo seu estado de Delaware, onde há lavagem de dinheiro de brasileiros.”
Lula demonstrou preocupação de que a recente decisão de Washington possa esconder interesses sobre minerais críticos brasileiros, sobretudo os existentes na Amazônia. Ele citou terras raras, ouro, diamante e a grande reserva de água doce como recursos estratégicos que despertam cobiça internacional.
“Daqui a pouco vão dizer que a Amazônia é deles. Não é.”
No encontro, Lula reforçou que a política externa brasileira busca equilíbrio e multilateralismo.
“Eu trato um país pequeno com o mesmo respeito que trato China, Rússia e EUA. Não falo grosso com a Bolívia e fino com os EUA.”
Ao finalizar, o presidente destacou que receberá de braços abertos qualquer ajuda norte-americana que respeite a soberania nacional e que inclua a extradição de foragidos condenados pela Justiça brasileira.
A passagem de Lula por Sergipe também teve agenda econômica: ele confirmou a retomada das operações da Fafen-SE, paralisada desde 2019, e anunciou estudo para expansão da produção de fertilizantes, setor considerado estratégico para reduzir a dependência externa e impulsionar o agronegócio sergipano.
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