A Panificação Garça, fundada em 1927 no coração da Rua Santa Rosa, Centro de Aracaju, recebeu o título de Patrimônio Histórico, Cultural e Material da capital em cerimônia realizada na tarde de quarta-feira, 27 de maio de 2026. O reconhecimento foi oficializado por meio da Lei Municipal 6.364/2025, sancionada pela prefeita Emília Corrêa, após aprovação unânime da Câmara de Vereadores.
Com quase um século de portas abertas, a Garça é considerada a padaria mais antiga em funcionamento no estado. O endereço original nunca mudou e, ao longo das décadas, se transformou em ponto de encontro de diferentes gerações, atraídas pelo aroma do forno à lenha e, principalmente, pelo famoso “Pão Jacó”. A receita, batizada em homenagem a um antigo padeiro conhecido pela habilidade em produzir pães de casca dourada e miolo macio, tornou-se sinônimo de café da manhã para muitos sergipanos.
Durante a assinatura da lei, a chefe do Executivo municipal destacou o peso simbólico da padaria para a construção da identidade cultural da cidade.
“Não poderia ser diferente. Eu precisava vir aqui pessoalmente trazer essa notícia, porque a Panificação Garça faz parte da memória afetiva do povo aracajuano. Quantas histórias, encontros e gerações passaram por aqui. Esse reconhecimento é uma forma de preservar não apenas um espaço físico, mas também a tradição e a identidade cultural da nossa cidade”, afirmou a prefeita Emília Corrêa.
A iniciativa tem origem no Projeto de Lei apresentado pelo vereador Miltinho Dantas, que defendeu a proteção do local como forma de reconhecer sua relevância histórica e incentivar políticas públicas de preservação de estabelecimentos tradicionais.
O empresário Alexandre Azevedo, que administra a padaria, celebrou a conquista ao lado de clientes e funcionários.
“Receber esse reconhecimento é motivo de muita alegria e emoção para todos nós que fazemos parte da história da Panificação Garça. São décadas de trabalho e convivência com os aracajuanos. Esse gesto mostra que a nossa trajetória tem valor para a cidade e para as futuras gerações”, disse Azevedo.
Com a nova classificação, a Panificação Garça passa a contar com instrumentos de proteção previstos em lei, garantindo salvaguardas contra descaracterizações do imóvel e incentivo à manutenção de processos produtivos considerados tradicionais. O título também reforça o compromisso do município em adotar medidas de preservação da memória afetiva ligada ao comércio local.
Para estudiosos do patrimônio, a medida vai além da conservação arquitetônica: reconhece um modo de fazer, de reunir pessoas e de manter vivo um pedaço da história de Aracaju. Consumidores fiéis, por sua vez, esperam que o selo patrimonial ajude a projetar a padaria para novos públicos sem abrir mão do atendimento acolhedor, das receitas originais e do inconfundível cheiro de pão quentinho que há quase 100 anos invade a Rua Santa Rosa todas as manhãs.
Agora oficializada como patrimônio, a panificação se prepara para celebrar os 99 anos em 2026 e o centenário em 2027. A expectativa é de que a data histórica seja marcada por uma programação especial, incluindo exposições sobre a evolução da moagem, fotos antigas do bairro e, claro, fornadas extras do tradicional “Pão Jacó”.

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