Durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Pedra Branca, no município de Laranjeiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar as privatizações de estatais consideradas estratégicas e declarou, na sexta-feira, 29 de maio, que ainda sonha em devolver ao controle público empresas como a Eletrobras e a BR Distribuidora.
O chefe do Executivo discursou para trabalhadores e autoridades locais logo após anunciar a retomada das operações da unidade sergipana, que volta a produzir fertilizantes. Para Lula, a venda de estatais é resultado de má gestão dos indicados para administrá-las.
“Tem gente que acha que é só vender. É gente que não tem competência. Eles desmontam a coisa pública para entregar de graça, por não saberem administrar nem lidar com o trabalhador”.
No pronunciamento, o presidente lamentou os entraves legais e financeiros que dificultam o retorno dessas companhias à esfera estatal. Ao comentar especificamente o caso da Eletrobras, privatizada em 2022, ele criticou as condições impostas ao governo federal caso decida recomprar ações suficientes para retomar o controle.
“É importante vocês saberem que eu ainda sonho em trazer a Eletrobras de volta, para ser uma empresa pública neste país. A privatização foi tão canalha que disseram que será três vezes mais caro para o governo comprar”.
Lula também citou a BR Distribuidora, cujo controle privado foi consolidado em 2019. Segundo ele, o contrato prevê que uma eventual recompra só poderia ocorrer a partir de 2029.
“É como a BR [Distribuidora], que ainda usa o nome da Petrobras. Se a gente quiser comprar de volta, só será em 2029”.
O presidente classificou como “sórdidas” as condições de venda dessas empresas e defendeu que setores considerados essenciais para a soberania nacional permaneçam sob tutela do Estado. “Não se trata de estatizar tudo, mas de proteger áreas vitais para o desenvolvimento”, afirmou.
A fala repercutiu entre os trabalhadores da Fafen-SE, que celebraram a reabertura da planta. Para Sergipe, a reativação significa geração de empregos diretos e indiretos, além do fortalecimento da cadeia de insumos agrícolas na região Nordeste. Representantes sindicais presentes ao evento ressaltaram que a unidade “é estratégica para o agronegócio e para a segurança alimentar”.
Apesar do tom incisivo, Lula reconheceu que qualquer movimento para reverter privatizações exigirá articulação política no Congresso e análise econômica detalhada. Ele não apresentou cronograma, mas reiterou que o assunto permanecerá na pauta de seu terceiro mandato.
A agenda em Sergipe incluiu ainda reuniões com o governo estadual para discutir investimentos em infraestrutura e energia. O presidente encerrou a passagem pelo estado prometendo voltar em outras ocasiões para acompanhar a retomada da produção de fertilizantes e o impacto sobre a economia local.
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