A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) entrou com uma ação criminal contra o apresentador Ratinho e requereu indenização de R$ 10 milhões do comunicador e do SBT, acusando-os de transfobia. A parlamentar afirma que o valor será destinado a iniciativas de apoio a mulheres vítimas de violência.
Hilton formalizou o processo após Ratinho declarar em seu programa que a deputada “não é mulher, é trans” ao comentar a eleição dela para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Em publicação nas redes sociais, a congressista classificou as falas como “violência” não apenas contra ela, mas contra todas as mulheres.
Resposta do SBT e manifestação do governo
Em nota, o SBT afirmou repudiar “qualquer tipo de discriminação e preconceito” e disse que as declarações do apresentador “não representam a opinião da emissora”, acrescentando que o conteúdo será analisado pela direção. Já o Ministério das Comunicações informou que recebeu representação administrativa da deputada pedindo a suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias. O órgão declarou que a solicitação será avaliada pela Secretaria de Radiodifusão, seguindo os trâmites legais.
Declarações de Ratinho e posição de Hilton
No programa exibido na quarta-feira (11), Ratinho questionou a escolha de Erika Hilton para comandar o colegiado: “Com tanta mulher, por que foram dar [a presidência] para uma mulher trans?”. Ele acrescentou: “Mulher para ser mulher tem que ter útero, tem que menstruar”. Nas redes, Hilton reagiu dizendo que apresentador e emissora “pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal”.
Eleição na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher
Erika Hilton foi eleita presidente da comissão na mesma quarta-feira, recebendo 11 votos; dez integrantes votaram em branco. Em seu discurso de posse, destacou que é a primeira mulher trans a ocupar o cargo e prometeu atuação pautada pelo diálogo com todas as mulheres.
Organizações sergipanas que atuam na promoção dos direitos humanos acompanham o desdobramento do caso e o debate nacional sobre representação feminina e enfrentamento à violência de gênero.
Fonte: Jovem Pan
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