Brasília – Incêndios fora de época, secas prolongadas e geadas intensas vêm reduzindo a produtividade de cafezais em diversas regiões do país. Para contornar as perdas, produtores apostam em pesquisa genética, irrigação de precisão e novas áreas de cultivo.
Seca e fogo na Bahia
Em 2 de janeiro de 2024, um incêndio atingiu lavouras de Piatã, na Chapada Diamantina (BA), quando a chuva já deveria ter chegado. O agricultor Moacir perdeu toda a safra de café especial, fonte principal de renda da família.
Geada histórica em São Paulo
Seis meses depois, em julho de 2025, cafezais de Serra Negra (SP) sofreram com uma sequência de geadas. A produtora Natalia Luglio colheu apenas 3,9 sacas em uma área que normalmente renderia 50 sacas. “Não dá mais para produzir como antes”, disse. Para reverter o cenário, ela ampliou a área plantada, instalou irrigação e adotou variedades mais resistentes à seca.
Robusta em alta na Amazônia
Agosto de 2025 marcou o auge da colheita em Cacoal (RO), onde o café robusta – ainda pouco conhecido pelo consumidor – alcançou 68 sacas por hectare, quase o triplo da média do arábica no país. Na fazenda de Juan Travain de Souza, drones e irrigação controlada elevaram a produção a 170 sacas por hectare.
Com a escassez global do grão em 2024, o preço da saca de robusta saltou de R$ 900 para R$ 2 000. O cafeicultor Fredson Dellarmelino investiu em caminhões, secadores e ampliação do armazém usando o lucro extra.
Expansão sem desmatamento
Pesquisadores da Embrapa afirmam que o robusta tolera calor, é produtivo e resistente a pragas. Segundo Enrique Alves, se 25% dos pastos degradados de Rondônia virarem cafezais, o estado pode superar o Vietnã e liderar a produção mundial da variedade sem avançar sobre a floresta.
Café indígena premiado
Na Terra Indígena Sete de Setembro (RO), um robusta cultivado em área preservada recebeu nota máxima (100) de jurados em 2024, resultado que estimulou jovens indígenas a permanecer na aldeia e investir na cultura.
Banco genético em Campinas
O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) mantém centenas de variedades de café. Desde a década de 1950, o instituto desenvolve plantas com genes de resistência a pragas, tolerância à seca e maior produtividade. Muitas mudas enviadas ao Norte entre 1976 e 1990 ajudaram a impulsionar o robusta amazônico.
Segundo dados da Embrapa Café, o país responde por aproximadamente um terço da produção mundial e trabalha para manter a liderança mesmo com o avanço das mudanças climáticas.
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Final da notícia.
Com informações de g1.globo.com
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