BUENOS AIRES – O governo argentino anunciou nesta terça-feira (2) que voltará a atuar diretamente no mercado de câmbio para conter a desvalorização do peso, que alcançou 1.359,50 por dólar no fim de agosto. A intervenção foi confirmada pelo secretário de Finanças, Pablo Quirno, em publicação na rede X.
Como será a intervenção
De acordo com Quirno, o Tesouro Nacional passará a comprar e vender dólares “a partir da presente data” para garantir liquidez e evitar oscilações abruptas. Desde abril, quando o país adotou o câmbio flutuante, o peso perdeu força de forma constante, após anos de controles mais rígidos.
O movimento marca uma mudança de rota do presidente Javier Milei, eleito com discurso liberal e defensor de um mercado cambial sem ingerência estatal. Em novembro de 2024, o peso já havia superado a marca histórica de 1.000 por dólar, reflexo de uma desvalorização controlada de 2% ao mês pelo Banco Central, conhecida como “crawling peg”.
Pressões econômicas e eleitorais
Para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, a flexibilização do câmbio em abril trouxe alívio temporário, mas fatores políticos e estruturais pesaram contra a moeda. A Argentina enfrenta eleições provinciais no próximo domingo (7) – incluindo a disputa em Buenos Aires – e um pleito legislativo de meio de mandato marcado para 26 de outubro.
Galhardo avalia que a nova intervenção pode abalar a confiança de investidores. Por outro lado, indica que “o governo entendeu a necessidade de avançar em ritmo mais prudente”.
Escândalo de corrupção
O ambiente político se agravou nas últimas duas semanas com áudios vazados que apontam suposto esquema de propina envolvendo Karina Milei, irmã e secretária-geral da Presidência, e o subsecretário Eduardo “Lule” Menem. As gravações foram divulgadas pelo ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência, Diego Spagnuolo, demitido logo após as denúncias.
Segundo Spagnuolo, os dois cobrariam propina de indústrias farmacêuticas para a compra de medicamentos da rede pública. O presidente classificou as acusações como “mentirosas” em entrevista ao canal C5N, prometendo acionar a Justiça contra o ex-aliado.
Reservas e acordos internacionais
Milei tenta reforçar as reservas internacionais e mantém tratativas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para garantir novos desembolsos. Em maio, o governo lançou programa que permite a regularização de dólares não declarados para compra de imóveis de até US$ 43 mil ou depósitos a prazo fixo de até US$ 85 mil, mas a medida não conteve a queda do peso.
O impacto combinado das incertezas cambiais e do escândalo político derrubou ainda mais os índices de aprovação presidencial, às vésperas de eleições consideradas cruciais para a governabilidade.
No momento, a equipe econômica se concentra em suprir o mercado de divisas e estabilizar a moeda, enquanto o Palácio da Casa Rosada tenta conter os danos políticos causados pelas denúncias.
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Resumo: O governo Javier Milei decidiu intervir no câmbio para conter a desvalorização do peso, ao mesmo tempo em que enfrenta denúncias de corrupção e proximidade de eleições provinciais e legislativas. Continue acompanhando nossos conteúdos e fique por dentro dos desdobramentos.
Com informações de G1
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