O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para diminuir o impacto da recente alta do petróleo sobre o preço do diesel, que ficou mais de 7% mais caro na primeira semana de março em comparação com os sete dias finais de fevereiro, segundo pesquisa da Edenred Mobilidade.
Entre as iniciativas, estão o decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível — redução estimada em R$ 0,32 por litro —, a elevação do imposto de exportação sobre o petróleo, uma medida provisória que prevê subsídio de igual valor (R$ 0,32 por litro) para produtores e importadores de diesel e ações de fiscalização para verificar se o alívio tributário chegará ao consumidor.
Pressão internacional e investigação do Cade
Os ajustes ocorrem em meio à valorização do petróleo no mercado internacional, estimulada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde trafega mais de 20% do comércio global da commodity. O barril do Brent chegou perto de US$ 120 na segunda-feira (9) e, embora tenha recuado para cerca de US$ 90 na sequência, voltou a se aproximar de US$ 100 nesta quinta, com alta superior a 7% nos contratos de abril.
Diante de relatos de aumentos nos postos sem reajuste nas refinarias da Petrobras, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu investigação para apurar possível elevação irregular no preço da gasolina e do diesel em diferentes regiões do país.
Composição do preço e efeito na inflação
O valor cobrado na bomba é formado por cinco parcelas: remuneração das refinarias (45,5%), ICMS (19%), distribuição e revenda (17,2%), biodiesel (13%) e PIS/Cofins (5,2%). Como o diesel é o principal combustível do transporte de cargas, qualquer elevação pressiona o frete e, na sequência, toda a cadeia produtiva, explica Vinicios Fernandes, diretor de frete da Edenred Mobilidade.
Para o estrategista da XP, Rafael Figueiredo, barris acima de US$ 90 ou US$ 100 tendem a prejudicar a economia brasileira, pois o efeito inflacionário suplantaria os benefícios na balança comercial. Segundo ele, juros mais altos por mais tempo, cautela nas decisões de investimento e crédito mais caro são alguns dos reflexos de um petróleo caro por período prolongado.
Caso a elevação persista, os consumidores podem sentir não só combustíveis mais onerosos, mas também aumentos em produtos e serviços, além de um possível desaquecimento do mercado de trabalho.
Em Sergipe, onde o modal rodoviário também é predominante na circulação de mercadorias, mudanças no custo do diesel costumam repercutir rapidamente nos preços do frete e, por consequência, no valor final pago pelos consumidores locais.
Fonte: g1
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