São Paulo – A súbita valorização dos fertilizantes, puxada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, já pressiona o produtor rural brasileiro, mas ainda não deve inflar a conta do supermercado neste ano, apontam especialistas da FGV Agro.
- Em resumo: só nas três primeiras semanas de conflito, o preço da ureia saltou 46% e acumula 76% em 2026.
Por que o choque de preços não chega ao prato agora
Grande parte das lavouras de arroz, soja e das primeiras safras de feijão e milho está colhida ou em fase final, etapa em que o adubo “já saiu do solo”. Para o café e para as segundas safras, o insumo foi comprado na temporada passada.
O problema mora na frente: as novas compras de adubo concentram-se na virada do semestre, quando o mercado ainda pode sentir os reflexos do conflito. Segundo a base de dados do IBGE, o Brasil importa 85% dos fertilizantes que consome, com dependência quase total de ureia, potássio e fosfatos.
“O milho é uma das culturas mais vulneráveis no curto prazo”, acrescenta o economista André Braz, do FGV Ibre.
As culturas mais expostas ao efeito ureia
Milho, arroz e trigo exigem volumes elevados de nitrogênio; já a soja precisa de fósforo e potássio para repor nutrientes, enquanto a cana-de-açúcar depende fortemente de potássio, o que pode encarecer açúcar e etanol.
Com custos subindo, produtores tendem a reduzir área plantada ou aplicar menos adubo, cenário que derruba produtividade e pode encarecer alimentos no médio prazo. Ainda assim, o clima segue sendo o fator de maior peso: uma safra recorde, como a de 2023, consegue neutralizar parte da pressão dos insumos.
No horizonte imediato, o diesel segue como protagonista da inflação de alimentos. Seu impacto, lembra o pesquisador Felippe Serigati, é direto na colheita, no maquinário e no transporte rodoviário que domina a logística brasileira.
Crédito da imagem: Divulgação
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