A inflação na Argentina avançou 2,5% em novembro, informou nesta quinta-feira (11) o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O resultado, que superou as projeções de analistas, representa a terceira aceleração mensal consecutiva – em outubro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) havia ficado em 2,3%.
No acumulado de 12 meses, a alta chegou a 31,4%, ligeiramente acima dos 31,3% registrados até outubro. É a primeira vez desde abril de 2024 que o indicador anual volta a ganhar força.
Setores que mais pressionaram o índice
De acordo com o Indec, os maiores avanços de preços em novembro ocorreram nos grupos:
- Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis: 3,4%
- Transporte: 3%
- Alimentos e bebidas não alcoólicas: 2,8%
- Comunicação: 2,7%
- Bens e serviços diversos: 2,5%
Contexto econômico
Durante o primeiro ano de mandato do presidente Javier Milei, a inflação mensal chegou a cair para níveis próximos de 2%, mas voltou a acelerar a partir de maio de 2025. O governo promove um forte ajuste fiscal, com corte de subsídios a tarifas de serviços públicos e paralisação de obras federais.
As medidas elevaram custos ao consumidor, enquanto o país enfrentava recessão e avanço da pobreza, que atingiu 52,9% da população no primeiro semestre de 2024 e recuou para 31% no mesmo período de 2025. Em contrapartida, a administração conseguiu seguidos superávits nas contas públicas.
Crises política e cambial
Nos últimos meses, Milei viu a confiança de investidores oscilar após denúncias envolvendo a secretária-geral da Presidência, Karina Milei. Em setembro, a derrota do governo na eleição da província de Buenos Aires fez o peso argentino despencar para 1.423 por dólar, acumulando queda superior a 27% no ano e pressionando os preços internos.
Apoio externo
A tensão começou a ceder em outubro, quando os Estados Unidos anunciaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões, com possibilidade de igual reforço, aumentando as reservas argentinas. Dias depois, Milei conquistou maioria na Câmara e no Senado nas eleições de meio de mandato, fator considerado essencial para avançar nas reformas.
Antes, em abril, o presidente já havia obtido um empréstimo de US$ 20 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), dos quais US$ 12 bilhões foram liberados imediatamente. O compromisso com o fundo inclui manter a inflação abaixo de 2% ao mês e flexibilizar controles cambiais, metas que vêm sendo revistas diante da recente deterioração do mercado.
Medidas recentes
Para tentar conter a volatilidade, o Banco Central voltou a intervir no câmbio, e o governo liberou em maio o uso de dólares mantidos fora do sistema financeiro. Em junho, flexibilizou operações com títulos públicos e anunciou captação de US$ 2 bilhões no mercado internacional, além de restringir a emissão monetária.
Mesmo com essas ações, a sequência de aumentos de preços mantém a inflação em patamar elevado, um dos principais desafios da equipe econômica.
Com informações de g1
Dados oficiais detalhados podem ser consultados no site do Indec, órgão responsável pelas estatísticas econômicas argentinas.
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Resumo: a inflação argentina voltou a acelerar em novembro, reforçando a atenção sobre o ajuste econômico de Javier Milei. Continue acompanhando nossas publicações e receba atualizações em tempo real.
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