A população vive mais e as empresas sentem o impacto: carreiras se alongam e gerações se misturam. Profissionais com 50+ seguem ativos ou mudam de função, e as empresas precisam repensar benefícios, formação e rotinas.
A longevidade da população está transformando o mercado de trabalho e exige que empresas e profissionais adaptem práticas, benefícios e rotinas de desenvolvimento. Carreiras mais longas e diversificadas aumentam a presença de diferentes gerações nas organizações, ao mesmo tempo em que trabalhadores com 50 anos ou mais continuam atuando ou buscando novas oportunidades.
A mudança altera a expectativa sobre formação e trajetória profissional: já não é comum concluir a formação e seguir numa única função até a aposentadoria. Em vez disso, o cenário atual aponta para a necessidade de aprendizado contínuo, transições de carreira e atualização constante de competências.
“Se nós estamos envelhecendo e retardando o envelhecimento, significa que, ao longo da nossa jornada, nós vamos ter várias profissões, vamos ter que estudar cada vez mais e mudar de carreira. Então, fazer uma transição de carreira será muito comum ao longo da nossa vida”
Janaína Machado, gerente do Unit Carreiras
Segundo a gerente do Unit Carreiras, o modelo tradicional de carreira — formar-se, entrar em um emprego e permanecer até a aposentadoria, típico dos anos 70 e 80 — já não reflete a realidade. A retomada aos bancos da universidade e a busca por novas qualificações passam a integrar a trajetória de muitos profissionais.
“Não dá mais para pensar como a gente vivia nos anos 70 e 80, quando a pessoa se formava e o sonho era passar em um concurso público e se aposentar nele. Isso mudou completamente. Então, nós estamos agora voltando para os bancos da universidade, aprendendo, fazendo transições de carreira”
Janaína Machado, gerente do Unit Carreiras
A convivência de gerações distintas nos ambientes de trabalho favorece a circulação de conhecimentos — mas também traz desafios ligados a diferenças de experiência, comportamentos e métodos de trabalho. Esse convívio é visto como oportunidade quando as empresas estruturam espaços e processos para troca efetiva.
“Nós também vemos diferentes gerações trabalhando juntas. Isso é muito rico, apesar dos conflitos que essas gerações também geram, mas é muito rico, é um aprendizado”
Janaína Machado, gerente do Unit Carreiras
O envelhecimento da força de trabalho força as empresas a rever benefícios, oportunidades de desenvolvimento, planos de carreira, sucessão e formação de lideranças, de modo a considerar uma equipe mais longeva e diversa. Identificar necessidades distintas e pensar em estratégias que mantenham motivação e produtividade passa a ser prioridade.
No entanto, profissionais com 50 anos ou mais ainda enfrentam estereótipos que dificultam sua plena participação no mercado. A percepção equivocada de que idade determina incapacidade para aprender tecnologias ou responder a mudanças pode levar a contratações e promoções injustas.
“O preconceito em relação às pessoas de 50 anos ou mais é muito grande. Principalmente quando se pensa que o idoso é mais lento, que tem mais dificuldade para aprender tecnologia, que tem mais dificuldade para lidar com as mudanças das empresas”
Janaína Machado, gerente do Unit Carreiras
“O primeiro passo é entender que idade não é competência. Idade é apenas um critério, uma referência. Não é exatamente o que determina se a pessoa tem ou não competência para assumir o cargo”
Janaína Machado, gerente do Unit Carreiras
“A questão é: quais são as competências e os requisitos do cargo? O que precisa ser feito? Que conhecimentos e tecnologias são necessários? Então, para mim, esse olhar é importante”
Janaína Machado, gerente do Unit Carreiras
Reconhecer o valor da experiência evita perdas para as empresas. Profissionais mais experientes trazem repertório, capacidade de decisão e inteligência emocional construída ao longo da trajetória, aspectos úteis para gestão de crises e formação de novas gerações.
“Elas perdem repertório, perdem experiência, perdem capacidade de decisão que essas pessoas têm, uma inteligência racional e uma inteligência emocional construídas por tudo que elas já viveram”
Janaína Machado, gerente do Unit Carreiras
Como resposta prática, as empresas são orientadas a estimular ambientes em que gerações trabalhem e aprendam juntas. Programas de mentoria tradicional e de mentoria reversa aparecem como alternativas para promover trocas efetivas entre jovens e mais experientes, alinhando conhecimento técnico e repertório profissional.
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