A estrada que liga Estância à Praia do Saco está interditada desde o fim de semana depois que as ondas destruíram parte do asfalto em 26/09. Defesa Civil e trânsito pedem que moradores e turistas evitem a área até nova avaliação.
A principal via que liga a sede de Estância à Praia do Saco, no Litoral Sul sergipano, segue interditada desde o último fim de semana. A força das ondas, especialmente no trecho conhecido como Ponta do Saco, destruiu parte do asfalto no sábado, 26/09, colocando em risco motoristas, pedestres e a estrutura de casas erguidas à beira-mar. A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, a Defesa Civil Estadual e órgãos de trânsito mantêm a sinalização e pedem que moradores e turistas evitem a área até que a situação seja reavaliada.
Em vistoria no local, o subsecretário da Defesa Civil do Estado relatou que parte da pista cedeu com a erosão provocada pela ressaca.
“Tivemos que interditar totalmente a pista, porque houve uma erosão muito severa, que comeu uma boa parte da pista, impedindo o tráfego seguro de veículos. Fizemos um desvio nessa área para os veículos, que principalmente foram para Ponta do Saco, retornem com segurança”, afirmou Silvio Prado.
A previsão é que o bloqueio permaneça até esta quarta-feira, 30/09, quando novos levantamentos técnicos indicarão se o retorno do tráfego é viável. Enquanto isso, motoristas precisam utilizar rotas alternativas dentro do povoado e redobrar a atenção com a sinalização improvisada.
Em nota, a Prefeitura de Estância informou que monitora permanentemente a maré e que as equipes de turismo e defesa civil estão em regime de plantão.
“As previsões indicam marés de grande amplitude nos próximos dias, com maior atenção para o dia 28 de setembro, quando a preamar poderá atingir aproximadamente 2,97 metros. A partir do dia 29, a tendência é de redução gradual da intensidade”, diz o comunicado oficial.
O avanço do mar também comprometeu uma residência de veraneio que, segundo a Defesa Civil, já estava desocupada desde março após vistoria que apontou risco iminente. Vídeos da destruição viralizaram nas redes sociais. O empresário Emanuel Oliveira, proprietário do imóvel, lamentou a perda.
“A casa foi construída há 25 anos e tinha 800 metros quadrados. É triste ver um espaço, que eu, minha família e amigos desfrutavam nos finais de semana destruído. Não entendo essa proibição da justiça, já que a colocação de pedras é feita seguindo normas técnicas”, disse o morador.
Equipes estaduais reforçaram a presença em Estância desde domingo, 27/09, orientando veranistas sobre possíveis alagamentos. A Defesa Civil alerta para a chance de a pista ser completamente coberta pela água nos horários de maré alta e não descarta novas interdições pontuais.
No sábado, técnicos da prefeitura isolaram a área e solicitaram o desligamento temporário da rede elétrica em um poste que ficou exposto. A administração municipal destaca que a combinação de maré cheia, ondas fortes e ventos intensos acelera um processo de erosão registrado há anos na Praia do Saco, podendo causar novos recuos da faixa de areia.
Além do fenômeno natural, existe disputa judicial que envolve construções erguidas em área de preservação permanente. Desde 2017, após ação do Ministério Público Federal, a Justiça Federal proibiu obras, ampliações e despejo de esgoto na região. A decisão também determinou a desocupação de imóveis, mas recursos suspenderam parte das ordens. O MPF ajuizou mais de cem ações individuais para analisar cada caso, e o debate sobre demolições ainda tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª Região.
Laudos técnicos do MPF, do Ibama e da Adema descrevem o ecossistema local como restinga com dunas de médio e grande porte, vegetação fixadora e áreas de mangue — todos classificados como de preservação permanente. Segundo os pareceres, construções e aterros modificaram o lençol freático, bloquearam o acesso público à praia e agravaram a vulnerabilidade frente à erosão costeira.
Até que os níveis do mar voltem a patamares seguros, órgãos estaduais e municipais manterão equipes de plantão para orientar motoristas, verificar a estabilidade do solo e avaliar novas intervenções emergenciais. A recomendação é que visitantes acompanhem os avisos oficiais, evitem o trecho interditado e procurem rotas alternativas para chegar às praias do sul sergipano.
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