Um eventual prêmio de R$ 1 bilhão na próxima Mega da Virada, marcado para 31 de dezembro, pode virar sinônimo de dor de cabeça em vez de riqueza duradoura. Pesquisas conduzidas pelo economista Jay L. Zagorsky, da Universidade de Boston, indicam que grandes somas obtidas de forma inesperada acabam, com frequência, consumidas em poucos anos — e, em alguns casos, levam o ganhador à falência.
Probabilidade mínima de vitória
A chance de acertar as seis dezenas é de uma em 303 milhões, 400 vezes menor do que ser atingido por um raio. Mesmo assim, prêmios recordes costumam atrair milhares de apostadores às casas lotéricas e aos aplicativos oficiais.
Quando o valor anunciado encolhe
O estudo relembra o sorteio da Mega Millions dos Estados Unidos, em 2018, que chegou a US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,3 bilhões, pelo câmbio atual). O vencedor pôde optar entre:
- Pagamento único de US$ 878 milhões (R$ 4,8 bilhões);
- Parcelas anuais por 30 anos que totalizariam o valor integral.
Ao escolher a quantia à vista, o ganhador viu o governo federal descontar US$ 211 milhões (R$ 1,1 bilhão). Como o bilhete foi registrado na Carolina do Sul, mais 7% ficaram com o Estado, restando US$ 606 milhões (R$ 3,3 bilhões).
Gastos acelerados
Análises de longo prazo mostram que vencedores economizam, em média, apenas 16 centavos de cada dólar recebido. Outros levantamentos indicam que um terço dos contemplados perde todo o dinheiro.
Para ilustrar, Zagorsky calcula que um vencedor de 30 anos precisaria desembolsar cerca de US$ 20 milhões por ano (R$ 110 milhões) — ou US$ 55 mil diários (R$ 304 mil) — para consumir um patrimônio líquido de US$ 900 milhões ao longo de 45 anos, sem levar em conta rendimentos financeiros.
Do luxo à insolvência
O caso do empresário americano Huntington Hartford exemplifica o risco. Herdeiro de uma fortuna equivalente a US$ 1,3 bilhão atuais, ele gastou boa parte do patrimônio em imóveis, museus e produções culturais. Declarou falência em 1992, sete décadas depois de receber o dinheiro, e passou seus últimos anos nas Bahamas.
As pesquisas concluem que, sem planejamento, até valores bilionários podem se dissipar rapidamente.
Estudos detalhados sobre comportamento financeiro após grandes prêmios podem ser consultados no site da Universidade de Boston, onde Jay L. Zagorsky mantém publicações sobre o tema.
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Com informações de G1




