Washington (EUA) – A Netflix apresentou nesta sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, uma proposta de US$ 72 bilhões para comprar os estúdios e o braço de streaming da Warner Bros Discovery, operação que adicionaria os 128 milhões de assinantes da HBO Max aos mais de 300 milhões do serviço líder mundial.
Logo após o anúncio, integrantes do Partido Republicano no Congresso norte-americano criticaram o negócio e pediram investigação do Departamento de Justiça (DoJ). O senador Mike Lee, de Utah, que preside o comitê antitruste do Senado, afirmou na rede social X que a aquisição pode “encerrar a era de ouro do streaming” ao reduzir a concorrência e limitar opções para criadores e consumidores.
Também republicanos, o senador Roger Marshall, do Kansas, e o deputado Darrell Issa, da Califórnia, já haviam solicitado no mês passado que autoridades antitruste examinassem o acordo, temendo queda na produção de filmes para cinema diante de menor pressão competitiva.
A Netflix defende que a fusão respeita as regras antitruste e amplia benefícios aos usuários, ao unir catálogos e investir em novos conteúdos. “Este é um acordo pró-consumidor, pró-inovação, pró-trabalhador, pró-criador e pró-crescimento”, declarou o presidente-executivo Ted Sarandos.
Analistas esperam análise rigorosa do DoJ, atualmente liderado na área de antitruste por Gail Slater, ex-executiva da Fox e da Roku. Slater tem histórico de defender o uso da legislação para proteger consumidores, trabalhadores e a inovação.
A disputa carrega componente político. No ambiente regulatório do governo Donald Trump, a Netflix é vista como menos alinhada que a Paramount Skydance, de David Ellison, considerada favorita nos bastidores. Trump já interferiu em grandes fusões de mídia, como quando criticou a compra da Time-Warner pela AT&T, avaliando o negócio em US$ 85 bilhões.
Ao justificar a operação, a Netflix aponta mudanças no consumo de mídia e cita o YouTube – plataforma mais usada pelos norte-americanos para assistir TV – como sinal de competição acirrada no setor.
O processo de aprovação ainda não tem cronograma definido, mas deverá envolver audiências no Congresso e parecer do Departamento de Justiça. Até lá, a maior compra da história do streaming segue cercada de incertezas regulatórias e políticas.
Com informações de G1
Para compreender como esses processos são avaliados nos Estados Unidos, consulte as diretrizes publicadas pelo Departamento de Justiça norte-americano.
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