Brasília – O acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia pode ser assinado no próximo sábado, 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu, mas ainda enfrenta resistências dentro do bloco europeu. Segundo Marcos Troyjo, que liderou as tratativas pelo lado brasileiro entre 2019 e 2020, a contestação mais dura parte “de uma fração dos agricultores franceses”, enquanto outros segmentos da França apoiam o tratado.
Negociações chegam à reta final
Na terça-feira, 16, o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas para proteger produtores rurais da UE. A medida busca acalmar governos contrários ao acordo, em especial a França – maior produtora de carnes e grãos do bloco. Ainda assim, Troyjo avalia que o texto deve avançar.
“A França envolve indústria, energia, bancos e consultorias que querem o pacto; a resistência real está em parte do agro e em alguns parlamentares”, declarou o economista, que também presidiu o Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos Brics) de 2020 a 2023.
Votação na União Europeia permanece incerta
Os presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Itália, Giorgia Meloni, concordaram, no dia 15, em adiar a decisão no Conselho Europeu, que pode retomar o debate nesta quinta, 18. Para ser barrado, o acordo precisaria de pelo menos quatro países que representem 35% da população do bloco.
Até agora, França, Polônia e Hungria se manifestaram contra. Áustria e Irlanda indicam possível oposição, e a Bélgica informou que pretende se abster. Alemanha e Espanha apoiam a assinatura.
Impacto para o Brasil
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) teme que as salvaguardas europeias criem obstáculos às exportações sul-americanas, embora reconheça que elas não integram o texto negociado. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil está disposto a discutir mecanismos de proteção, desde que o acordo avance.
Hoje, o comércio exterior responde por 32% do PIB brasileiro, pontua Troyjo. Metade das vendas externas do país vai para a Ásia; a União Europeia é o segundo maior destino.
Próximos passos
Caso seja assinado, o tratado — negociado desde 1999 — ainda precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelo Congresso Nacional. Aprovado por maioria simples em ambas as casas, passa a valer imediatamente.
Mais detalhes sobre o texto podem ser consultados no portal oficial da Comissão Europeia, que traz os principais pontos do entendimento entre os dois blocos (ec.europa.eu).
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Com informações de G1
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