Washington, EUA – Nas últimas semanas, a startup de inteligência artificial Anthropic bateu de frente com o Pentágono, recusando-se a remover barreiras éticas de seu modelo Claude e provocando um impasse militar sem precedentes.
- Em resumo: Defesa cortou contrato de US$ 200 milhões após a empresa negar acesso irrestrito à IA.
Por que o Pentágono viu “risco de cadeia de suprimentos”
O estopim foi a suspeita de que o Claude teria auxiliado na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Temendo que, em operações futuras, a Anthropic pudesse simplesmente desligar o sistema, o Departamento de Defesa exigiu uso “para todos os fins legais” – inclusive vigilância em massa e armamentos autônomos. A negativa levou o secretário Pete Hegseth a classificar a companhia como ameaça estratégica, rótulo até então reservado a fornecedores ligados a potências rivais.
Especialistas ouvidos pela Universidade de Oxford lembram que o episódio escancara lacunas na governança de IA militar, um tema que segue sem legislação específica inclusive em parlamentos como a Câmara dos Deputados brasileira.
“Não existem adultos numa sala resolvendo tudo. A responsabilidade agora é nossa.” – Logan Graham, chefe da Equipe Vermelha da Anthropic
Efeito dominó: OpenAI assume o contrato, Anthropic ganha usuários
Horas depois de perder o acordo, a Anthropic viu o aplicativo Claude ultrapassar o ChatGPT na App Store, com mais de um milhão de novos cadastros diários. Ao mesmo tempo, coalizões de funcionários da Amazon, Google e Microsoft pediram a suas empresas que adotem limites semelhantes aos defendidos pela startup.
A manobra do governo também reavivou o debate global sobre “armas autônomas letais”. Sem tratado internacional vinculante, cada Estado define o que é “uso lícito”, perpetuando o vácuo de responsabilidade caso algoritmos cometam violações em combate.
Para Dario Amodei, CEO da Anthropic, abrir mão das “linhas vermelhas” tornaria os EUA parecidos com regimes autocráticos que a empresa alega combater. Por ora, a Justiça decide se o Pentágono extrapolou sua autoridade, enquanto o mercado de IA observa quem vencerá a queda de braço que pode ditar o futuro das guerras digitais.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images
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