Brasília, 15 de dezembro de 2025 — Trabalhadores da Petrobras cruzaram os braços nesta segunda-feira (15) e deram início a uma greve nacional após rejeitarem a segunda contraproposta da companhia para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A paralisação, aprovada em assembleias realizadas nas últimas semanas, não tem prazo para terminar.
Principais reivindicações
Em nota, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou que a categoria exige avanço em três pontos:
• Fim dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, que geram descontos adicionais na remuneração de empregados, aposentados e pensionistas;
• Aprimoramento do plano de cargos e salários, com garantias contra mecanismos de ajuste fiscal;
• Defesa de um modelo de negócios voltado ao fortalecimento da estatal, com restrições a parcerias e terceirizações consideradas porta de entrada para privatizações.
Locais já afetados
O movimento começou de madrugada, com a entrega de turnos em plataformas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, além de refinarias em São Paulo e Minas Gerais. Durante a manhã, trabalhadores das refinarias Regap (MG), Reduc (RJ), Replan (SP), Recap (SP), Revap (SP) e Repar (PR) aderiram à paralisação.
Na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), cerca de 40% dos 800 funcionários efetivos interromperam as atividades. A Replan, em Paulínia (SP), também registrou protestos, assim como a Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, e terminais no litoral paulista, entre eles o Terminal Aquaviário da Alemoa e o Terminal de Pilões.
Pressão de aposentados
Antes do início da greve, aposentados e pensionistas retomaram, na quinta-feira (11), uma vigília em frente ao Edifício Senado, sede da Petrobras no Rio de Janeiro, cobrando solução para os déficits da Petros. As mobilizações coincidem com reuniões em Brasília entre representantes dos trabalhadores e do governo.
Posicionamento da FUP
A federação acusa a gestão da presidente Magda Chambriard de dificultar as negociações ao não apresentar proposta que encerre os PEDs. A entidade também critica o volume de dividendos pagos: segundo a FUP, nos nove primeiros meses de 2025 a Petrobras distribuiu R$ 37,3 bilhões aos acionistas, enquanto ofereceu ganho real de 0,5% no ACT.
Resposta da Petrobras
Em comunicado, a estatal afirmou que as manifestações não impactam a produção de petróleo e derivados. A companhia disse ter adotado planos de contingência para garantir o abastecimento e declarou manter diálogo com as entidades sindicais. A última proposta da empresa, apresentada em 9 de dezembro, “contempla avanços” aos principais pleitos, informou a nota.
As negociações do Acordo Coletivo de Trabalho seguem abertas, mas, até o momento, não há previsão de nova rodada que possa por fim ao impasse.
Para compreender como o setor é regulado no país, o leitor pode consultar informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
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Com informações de g1
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