Brasília – A caderneta de poupança encerrou 2025 com retirada líquida de R$ 85,6 bilhões, o quinto ano seguido em que os saques superam os depósitos, informou o Banco Central nesta sexta-feira (9).
Saldo e movimentações
Ao longo do ano, os depósitos somaram R$ 4,27 trilhões, enquanto as retiradas alcançaram R$ 4,36 trilhões. Com isso, o estoque total aplicado caiu de R$ 1,03 trilhão, em dezembro de 2024, para R$ 1,02 trilhão no fim de 2025.
Crédito imobiliário em alerta
A redução dos recursos afeta o financiamento da casa própria, já que 65% do montante captado via poupança precisa ser direcionado a essa modalidade de crédito. Para amenizar o impacto, o governo anunciou em outubro mudanças que, após período de transição, acabarão com essa exigência e liberarão parte dos depósitos compulsórios mantidos no Banco Central.
Cenário econômico desfavorável
A sangria na poupança ocorreu em um ambiente de juros elevados, inflação resistente e aumento da inadimplência. A taxa básica Selic permaneceu em 15% ao ano, nível mais alto em quase duas décadas. Já a inadimplência média no sistema financeiro ficou em 3,8% em novembro, perto do recorde histórico, enquanto o endividamento das famílias chegou a 49,3% da renda acumulada em 12 meses até outubro.
Baixa rentabilidade
Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR), percentual que perde para alternativas como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI. A valorização de 34% do Ibovespa em 2025 reforçou a percepção de menor atratividade da caderneta.
Visão de especialistas
Para Francisco Weliton Barroso, consultor da Unicred Porto Alegre, a limitação de rendimento explica a perda de espaço do produto. Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, avalia que a poupança deve servir apenas como reserva imediata, indicando Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária como substitutos naturais. Para horizontes mais longos, ele destaca títulos IPCA+, prefixados e, em cenário de possível queda de juros em 2026, maior participação de Bolsa, ETFs e fundos imobiliários.
Dados detalhados sobre depósitos, saques e saldo da poupança podem ser consultados no Banco Central do Brasil.
Para acompanhar outras medidas econômicas e seus reflexos, confira também a cobertura em Política.
O desempenho da poupança em 2025 reforça a necessidade de avaliar alternativas de investimento, especialmente em períodos de juros altos e inflação persistente. Continue acompanhando nossas publicações para entender como as próximas decisões de política econômica podem afetar seu bolso.
Com informações de G1




