Sandovalina/SP – A queda brusca de R$ 0,90 no preço do litro de leite, somada ao encarecimento dos insumos, empurra pecuaristas do Pontal do Paranapanema a vender parte do rebanho para manter a fazenda funcionando.
- Em resumo: produtor recebe R$ 1,80 por litro, mas gasta R$ 1,63 para produzir – margem quase nula.
Custos sobem, preço desaba
A conta não fecha: energia, ração e adubo acumulam altas sucessivas, enquanto o valor pago ao produtor retrocedeu ao menor patamar em três anos, segundo dados do IBGE.
Em uma propriedade de 27 cabeças da raça Girolândia, apenas 17 vacas em lactação produzem 170 litros diários. Para segurar esse volume, o pecuarista Alex Menezes investe em piquetes irrigados que garantem pastagem verde o ano todo — tecnologia cara, mas vital.
“Meu custo é de R$ 1,63 por litro e recebo R$ 1,80. Essa diferença não sustenta novos investimentos”, relata Alex.
Estratégias de sobrevivência no campo
Com a margem comprimida, a saída imediata tem sido liquidar animais. Alex já se desfez de parte do plantel, tática também adotada por Cristina Hattori, de Ameliópolis, que trabalha com leite há 16 anos e afirma nunca ter visto preços tão baixos.
Especialistas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) alertam: vender vacas alivia o caixa, mas precisa ocorrer no momento certo para não comprometer o volume de entrega às indústrias. Caso contrário, o produtor perde musculatura na hora de negociar valores futuros.
O dilema é agravado pela entrada de leite em pó importado, que pressiona a cotação doméstica e amplia a instabilidade de 2026. Mesmo assim, a produção paulista saltou de 50 mil litros em 2024 para quase 82 mil no ano passado, mostrando que a oferta segue firme apesar do aperto.
No radar do setor estão políticas de crédito mais baratas e a expectativa de reajustes sazonais no inverno, quando o consumo tende a crescer. Até lá, a ordem é cortar gordura — literalmente.
Crédito da imagem: Divulgação / TV TEM
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