Um levantamento divulgado em novembro de 2025 identifica 407 desastres climáticos ocorridos no Brasil entre 1991 e 2024 e estabelece relação direta entre justiça climática e racismo ambiental. Segundo o documento, populações negras, indígenas e comunidades de baixa renda são as mais afetadas por enchentes, secas, deslizamentos e demais eventos extremos registrados no período analisado.
O estudo destaca que esses grupos vivem, em geral, em áreas com infraestrutura precária, o que amplia a exposição a riscos e dificulta o acesso a políticas de prevenção e recuperação. Para os autores, a distribuição desigual dos impactos climáticos reforça a necessidade de ações de justiça climática voltadas à redução de vulnerabilidades históricas.
O relatório também aponta que a frequência de desastres aumentou nas últimas três décadas, indicando tendência de agravamento caso não haja investimento em adaptação e mitigação. Entre as recomendações, estão a inclusão de recortes raciais nas políticas públicas de clima e a garantia de participação social na elaboração dessas medidas.
O documento foi apresentado em evento que reuniu organizações da sociedade civil, especialistas em meio ambiente e representantes de comunidades tradicionais. Eles cobram transparência do poder público na destinação de recursos para prevenção de desastres e proteção dos territórios.
Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) corroboram a avaliação de que os efeitos do aquecimento global tendem a agravar desigualdades sociais já existentes, reforçando a urgência das ações indicadas no relatório.
Próximos passos
Os autores avaliam que a adoção de critérios de equidade na elaboração de políticas climáticas é crucial para reduzir mortes e perdas materiais. Eles defendem, ainda, o fortalecimento de mecanismos de responsabilidade socioambiental nas esferas federal, estadual e municipal.
Leitores que desejem conhecer detalhes sobre estratégias de adaptação podem consultar o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, disponível no site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
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O relatório evidencia a necessidade de políticas que enfrentem, simultaneamente, a crise climática e as desigualdades sociais, reforçando o papel da justiça climática no debate público.
Com informações de Agência Brasil




