São Paulo – O Nubank enfrenta protestos internos após anunciar, no último dia 12, a transição do home office para um modelo híbrido que exigirá dois dias presenciais a partir de julho de 2026 e três dias a partir de janeiro de 2027. A medida afetará cerca de 70% do quadro e motivou, segundo relatos de trabalhadores, demissões por justa causa e receio de novos desligamentos.
Manifesto e plenária virtual
Em um manifesto divulgado na quarta-feira (12), funcionários afirmam que a exigência de retorno presencial altera acordos pessoais e compromissos financeiros assumidos durante o trabalho remoto. Na mesma data, o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região realizou plenária virtual com quase 300 participantes para discutir o tema.
Relatos apresentados ao sindicato apontam dificuldades para quem se mudou de cidade, firmou contratos de aluguel ou comprou imóveis. Cuidadores de filhos, idosos ou pessoas com deficiência temem maior impacto na rotina familiar e na renda disponível devido a deslocamentos para grandes centros urbanos.
Demissões por justa causa
No dia do anúncio, 12 empregados foram dispensados por justa causa após reunião com o CEO David Vélez. Em publicações no LinkedIn, o executivo disse que houve “extrapolação dos limites aceitáveis” no ambiente profissional. Trabalhadores, porém, falam em 14 demitidos, majoritariamente de grupos minorizados, e pedem reintegração para iniciar qualquer negociação.
Principais reivindicações
Entre as demandas apresentadas ao banco estão:
- reversão da política de retorno ao presencial;
- transparência nos critérios de exceções, hoje restritos, segundo relatos, a cargos mais seniores;
- suspensão de advertências aplicadas após manifestações contrárias à mudança;
- acordo coletivo com regras claras sobre o modelo de trabalho.
Posicionamento do Nubank
Em nota, o Nubank afirmou que mantém “canais e rituais abertos para o livre debate” e que não comenta casos individuais de desligamento. A fintech diz que a transição foi planejada para “fortalecer a cultura, aumentar colaboração e acelerar inovação”, oferecendo suporte à realocação e análise de exceções.
Próximos passos
O sindicato orientou os empregados a registrarem denúncias em canais oficiais e agendou nova reunião com a direção do Nubank para 19 de novembro. A entidade não descarta levar o caso à Justiça caso não haja avanço nas negociações.
Comissão de acompanhamento – O sindicato pretende consolidar relatos, solicitar mediação de órgãos públicos e convocar novas plenárias se necessário.
Uma cartilha do Ministério do Trabalho e Emprego detalha direitos e deveres no teletrabalho e pode auxiliar profissionais que enfrentam mudanças semelhantes.
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O cenário segue em evolução e novas etapas de negociação devem ocorrer até o início da implementação total do regime híbrido. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta matéria para manter mais profissionais informados.
Com informações de g1




