O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), enfrenta obstáculos dentro da própria base aliada para aprovar o projeto de socorro ao Banco de Brasília (BRB). A proposta, enviada à Câmara Legislativa (CLDF), autoriza o uso de 12 terrenos públicos como garantia na operação que pretende reforçar o capital do banco estatal.
Segundo um integrante da bancada governista ouvido sob condição de anonimato, “não há consenso. Aliados se rebelaram e não querem votar”. A votação está prevista para a próxima terça-feira, 24, e as articulações nos bastidores se intensificaram nos últimos dias.
Cobrança eleitoral e desgaste prévio
O clima de insatisfação ganhou força neste ano eleitoral. Deputados distritais lembram do desgaste ocorrido em 2025, quando aprovaram em tempo recorde o texto que permitiu negócios do BRB com o Banco Master. Após o escândalo que resultou na liquidação do Master, parlamentares da base passaram a ser cobrados por eleitores.
O Banco Central determinou que o BRB registre um provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir as perdas com a compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro pertencentes ao banco de Daniel Vorcaro, liquidado em novembro.
Pressão por contrapartidas e busca por consenso
Aliados admitem que, em momentos como este, costumam crescer pedidos de cargos e outras contrapartidas políticas em troca do voto favorável. A avaliação interna é de que a matéria precisa ser resolvida rapidamente para minimizar o desgaste do governo.
Pelo menos um apoio é dado como certo: o presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), tem reiterado fidelidade ao Palácio do Buriti. Nos últimos dias, ele arquivou quatro pedidos de impeachment contra Ibaneis Rocha e agora trabalha para pacificar a base.
Encontro com Vorcaro e negativa sobre venda ao BRB
Ibaneis Rocha confirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro, mas negou que o encontro tenha tratado da venda do Banco Master ao BRB. A declaração do governador foi transmitida pelas emissoras Globo e Record.
O resultado das negociações será conhecido após a votação em plenário, marcada para a próxima semana.
Fonte: g1
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