Brasília – O novo valor do salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, entra em vigor nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026. O reajuste representa alta de 6,79% sobre o piso anterior, de R$ 1.518.
Como o valor foi definido
O cálculo considerou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos 12 meses encerrados em novembro (4,18%) e um ganho real de 2,5%, limite imposto pelo arcabouço fiscal. Com isso, o piso ficou:
- abaixo do previsto na Lei Orçamentária de 2026 (R$ 1.631);
- menor que a estimativa divulgada pelo governo em novembro (R$ 1.627).
Sem o acréscimo real, o salário mínimo seria corrigido apenas pela inflação, alcançando cerca de R$ 1.582.
Quem será impactado
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o piso serve de referência para 59,9 milhões de pessoas. Além dos trabalhadores formais que recebem um salário mínimo ou múltiplos dele, o valor também indexa benefícios como seguro-desemprego, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e aposentadorias do INSS. Os pagamentos atualizados começam a ser depositados no início de fevereiro.
Regras de reajuste
Pela nova política de valorização, aprovada em 2023, o mínimo passa a ser corrigido anualmente pela soma do INPC até novembro e do crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, limitado a 2,5%. A mudança devolveu a perspectiva de ganho real, suspensa entre 2017 e 2022, quando o aumento se restringiu à inflação.
Efeito nas contas públicas
A elevação do piso pressiona o orçamento federal porque nenhum benefício previdenciário pode ficar abaixo do salário mínimo. Estimativas oficiais indicam que cada real acrescentado gera despesa de aproximadamente R$ 420 milhões em 2026. Assim, o aumento de R$ 103 deverá ampliar os gastos obrigatórios em cerca de R$ 43,2 bilhões, reduzindo a margem para despesas discricionárias.
O reajuste também tende a aquecer o consumo interno, pois eleva a renda das famílias de menor poder aquisitivo, que destinam parcela maior do orçamento a bens e serviços.
Com o novo piso, o governo cumpre a determinação constitucional de preservar o poder de compra do trabalhador, embora o Dieese calcule que o valor ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.067,18 em novembro de 2025.
O próximo reajuste será definido em janeiro de 2027, seguindo a mesma metodologia.
Dados do INPC utilizados no cálculo podem ser consultados no portal do IBGE.
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Com informações de G1




