Um projeto articulado pelo Sebrae pretende dar um salto de competitividade à cadeia do leite em Sergipe ao introduzir práticas de economia circular nos laticínios de Nossa Senhora da Glória. A iniciativa, apresentada HOJE durante um workshop no Escritório Regional do órgão, mira principalmente a redução de desperdícios, o melhor aproveitamento de água, energia, embalagens e subprodutos, abrindo caminho para corte de custos e novas fontes de receita.
Segundo dados divulgados no encontro, estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) projeta que, até 2050, a oferta de produtos de origem animal terá de crescer 70% para suprir a demanda global. A leitura do Sebrae é que esse cenário só será viável com aumento de eficiência dentro das propriedades rurais, e a economia circular surge como estratégia central para esse ganho de produtividade.
Ainda de acordo com o Sebrae, o conceito rompe com o modelo linear — extrair, produzir, descartar — e propõe o prolongamento da vida útil dos materiais, a reinserção de resíduos na cadeia produtiva e o uso racional de recursos finitos. Um entrave, entretanto, é o desconhecimento: levantamento nacional de 2024 aponta que 83,49% das micro e pequenas empresas têm pouca ou nenhuma familiaridade com economia circular.
“Em vez de encerrar o ciclo no descarte, a economia circular busca prolongar a vida útil dos produtos e reintegrar materiais à cadeia produtiva. Assim, aquilo que antes seria considerado sobra, perda ou resíduo pode se transformar em insumo, economia ou até em uma nova fonte de receita”, explicou o consultor internacional do Sebrae, Emílio Beltrami.
Nesta fase inicial, técnicos da entidade visitaram laticínios no município sertanejo para mapear como cada empreendimento administra entrada de matéria-prima, ciclo de vida dos produtos e gestão de resíduos. O levantamento vai orientar um plano de ação que será detalhado em seminário marcado para 27 de outubro, em Nossa Senhora da Glória.
Durante as visitas, foram identificadas oportunidades de melhoria como a otimização do uso de água durante a limpeza de equipamentos, a recuperação de calor gerado nas caldeiras, o reaproveitamento de soro de leite em novos produtos e o redesign de embalagens para reduzir plástico. Também entrou na lista a possibilidade de digitalizar processos fabris, usando sensores e sistemas que monitorem produção em tempo real e permitam ajustes imediatos.
“Dentro de um laticínio é possível melhorar o uso da água, energia, embalagens e subprodutos, adotar processos que diminuam perdas na produção e transporte, coordenar todos os elos da cadeia e ainda aumentar o controle sanitário”, acrescentou Emílio Beltrami.
O Sebrae defende que, ao se tornarem fábricas inteligentes, os laticínios ganham não só eficiência, mas também reputação junto a consumidores cada vez mais atentos à sustentabilidade. A transformação digital, sustentada por coleta de dados e automação, permitiria lançar produtos alinhados às novas exigências de mercado e enxugar gargalos logísticos.
“A nossa meta é agregar inovação, sustentabilidade e melhorar a competitividade desses empreendimentos. O mercado tem valorizado empresas que demonstram responsabilidade, eficiência e compromisso com soluções mais inteligentes, e os pequenos negócios precisam estar atentos a esse cenário”, destacou o analista técnico do Sebrae, Luís Nakanishi.
Com o roteiro de implantação em elaboração, o Sebrae pretende envolver fornecedores, produtores rurais e transportadores num círculo virtuoso que poderá servir de modelo a outras regiões produtoras de Sergipe. Caso a proposta avance, os ganhos vão além do bolso: menos resíduo significa menor pressão sobre recursos naturais do Semiárido, contribuindo para um ambiente mais equilibrado e para a sustentabilidade da atividade leiteira no estado.
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