Washington, 28 de outubro de 2025 – O Senado dos Estados Unidos aprovou, na noite desta terça-feira (28), um projeto de lei que revoga as tarifas de até 50% impostas pelo presidente Donald Trump a itens brasileiros como petróleo, café e suco de laranja.
Votação apertada expõe divisão republicana
O texto, apresentado pelo senador democrata Tim Kaine (Virgínia), recebeu 52 votos favoráveis e 48 contrários. Cinco republicanos – Susan Collins (Maine), Mitch McConnell (Kentucky), Lisa Murkowski (Alasca), Rand Paul (Kentucky) e Thom Tillis (Carolina do Norte) – uniram-se à bancada democrata, demonstrando resistência interna à política comercial do governo.
Trâmite pouco provável na Câmara
Apesar do aval do Senado, a proposta encara obstáculos na Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos. Novas regras adotadas pela Casa permitem que a liderança barre projetos relacionados a tarifas, e o próprio Trump tem poder de veto.
Objetivo simbólico
Segundo Kaine, a iniciativa pretende “forçar o debate” sobre o impacto econômico das tarifas. O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) alertou recentemente que as medidas tendem a elevar desemprego e inflação, além de reduzir o crescimento em 2025.
Detalhes do projeto
A resolução susta o estado de emergência nacional declarado por Trump em agosto, instrumento utilizado para impor as tarifas contra o Brasil. Kaine informou que apresentará propostas semelhantes para suspender tarifas aplicadas a outros países, como o Canadá.
Avanço das negociações Brasil–EUA
A votação ocorre após encontro de 45 minutos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, no domingo (26), na Malásia. Na segunda-feira (27), representantes dos dois governos abriram rodada de debates em Washington. Participaram o chanceler Mauro Vieira, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, e o embaixador Audo Faleiro.
O grupo definiu calendário de reuniões voltado aos setores mais afetados pelas tarifas. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, informou que ainda não há data para novo encontro, mas Lula defendeu a suspensão temporária das tarifas enquanto durarem as negociações.
Em documento entregue a Trump, o governo brasileiro contestou a justificativa das tarifas, destacando superávit acumulado de US$ 410 bilhões pelos EUA na balança comercial bilateral nos últimos 15 anos.
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara Americana de Comércio (Amcham) consideraram o diálogo um “avanço concreto” e esperam acordo nas próximas semanas.
As conversas foram descritas como cordiais, e os líderes cogitam visitas recíprocas ainda sem data definida.
Com a votação, a pressão sobre a Câmara aumenta, mas o futuro do projeto continua incerto, dependendo da disposição dos republicanos e de uma eventual decisão presidencial.
De acordo com análise recente do Congressional Budget Office (CBO), políticas tarifárias podem provocar redução do crescimento econômico norte-americano.
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Com informações de g1
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