A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou nesta sexta-feira (21) as sobretaxas de 10% a 40% impostas pelo presidente Donald Trump a produtos de alguns países, medida que atinge diretamente US$ 21,6 b bilhões em vendas brasileiras ao mercado norte-americano, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC).
Os magistrados consideraram ilegais as chamadas tarifas recíprocas, núcleo da estratégia tarifária da Casa Branca. Permanecem inalterados outros gravames ainda em vigor, como os que incidem sobre aço e alumínio.
Reação da indústria brasileira
“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. A entidade informou que seguirá monitorando os desdobramentos para mensurar com mais precisão os reflexos para o país.
Resposta de Donald Trump
Pouco após o veredicto, Trump classificou a decisão como “uma vergonha” e anunciou que pretende adotar um novo instrumento legal para criar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com aplicação imediata. O republicano acrescentou que dispõe de “métodos ainda mais fortes” para instituir novas barreiras comerciais e que “outras saídas serão usadas” para aumentar a arrecadação norte-americana.
Queda nas exportações e aumento do déficit
Com o tarifaço ainda em vigor, as exportações brasileiras para os EUA recuaram de US$ 40,37 b bilhões em 2024 para US$ 37,72 b bilhões no ano passado, queda de 6,6% (US$ 2,65 b bilhões). Nesse intervalo, o déficit comercial do Brasil com os norte-americanos saltou para US$ 7,53 b bilhões, avanço de quase 2.900% em comparação com o saldo negativo de US$ 253 milhões registrado em 2024.
Séries históricas do Ministério do Desenvolvimento apontam déficits consecutivos na balança bilateral desde 2009, totalizando 17 anos de resultado negativo. O desempenho de 2025 foi o pior desde 2022.
Linha do tempo do tarifaço
• Abril: início da aplicação das sobretaxas para todos os países, com alíquotas maiores para itens como aço e alumínio.
• Agosto: anúncio de tarifa específica de 50% voltada ao Brasil.
• Exceções: lista de mais de 700 produtos ficou isenta, entre eles suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.
• Novembro: após negociações entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, EUA excluíram da medida carne bovina, café, açaí e cacau.
• Sexta-feira (21): Suprema Corte revogou as tarifas residuais de 10% a 40% que ainda incidiam sobre parte das exportações brasileiras.
Fonte: g1
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