A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou parte do “tarifaço” criado no governo Donald Trump não contemplou quatro produtos relevantes do agronegócio brasileiro: café solúvel, uva, mel e pescados. Esses itens continuam sujeitos a uma sobretaxa de 50% para entrar no mercado norte-americano.
O corte nas tarifas, anunciado nesta sexta-feira (20), se soma a dois atos do governo dos EUA publicados em novembro. Em 14 de novembro, a Casa Branca retirou uma tarifa adicional de 10% que valia desde abril para cerca de 200 alimentos de diversos países. Seis dias depois, em 20 de novembro, suspendeu para o Brasil uma sobretaxa de 40% que havia sido decretada em julho, beneficiando mais de 200 mercadorias. Mesmo assim, café solúvel, uva, mel e pescados permaneceram fora das listas de exceção.
Impacto sobre o café solúvel
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as vendas do produto para os EUA corresponderam a 10% do total exportado pelo setor em 2024. Até a imposição da tarifa extra de 40%, o país era o principal destino do café solúvel brasileiro, respondendo por 38% das importações norte-americanas na categoria. Após a nova taxação, de agosto a outubro, o volume embarcado para os EUA recuou aproximadamente pela metade em relação ao mesmo período de 2024.
Queda nas vendas de uva
Dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) mostram que, em 2024, os Estados Unidos absorveram 12% de toda a fruta fresca exportada pelo Brasil. Somente a cadeia da uva faturou US$ 41,5 milhões no período, com 23% da produção destinada ao mercado norte-americano. Entre outubro e novembro, entretanto, os embarques de uva caíram 73% em comparação com os mesmos meses do ano anterior.
Mel sofre dupla taxação
Para o mel brasileiro, o cenário inclui não apenas a tarifa extra de 50%, mas também uma alíquota de importação de 8,04% que já estava em vigor. De acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), contratos com compradores norte-americanos seguem válidos até dezembro de 2025, mas o custo adicional pressiona margens de lucro.
Pescados fora da lista de exceções
A exclusão dos pescados das isenções frustrou o setor, avalia a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca). As vendas para os EUA movimentam cerca de US$ 300 milhões por ano e representam quase metade das exportações brasileiras de pescado em 2024. Segundo a entidade, a manutenção da tarifa prejudica especialmente pequenas e médias empresas ligadas a comunidades costeiras e ribeirinhas.
Representantes das quatro cadeias produtivas defendem que os itens sejam incluídos em futuras rodadas de negociação bilateral, argumentando que o mercado norte-americano continua estratégico para o agronegócio nacional.
Fonte: g1




