A Comissão Europeia iniciou nesta terça-feira (17) uma investigação formal contra a varejista online chinesa Shein. O processo, amparado pela Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês), examina suspeitas de comercialização de itens proibidos e de funcionamento da plataforma com mecanismos considerados potencialmente viciantes para os usuários.
Segundo o órgão executivo do bloco, a análise vai verificar se a empresa adota medidas eficazes para impedir a oferta de produtos ilegais, inclusive materiais relacionados a abuso sexual infantil. Também serão apuradas práticas de engajamento que concedem pontos ou recompensas e que, de acordo com Bruxelas, podem afetar negativamente o bem-estar do consumidor.
Pressão da França e retirada de bonecas sexuais
A apuração ganhou força depois de um pedido do governo francês, apresentado em novembro do ano passado, para barrar a venda de bonecas sexuais com aparência infantil na Shein. Após a cobrança, a companhia informou ter retirado não apenas esses itens, mas todas as bonecas sexuais do catálogo global.
Posicionamento da empresa
Em nota, a Shein afirmou que continuará colaborando com as autoridades europeias. A empresa disse ter feito “investimentos significativos” para se alinhar à legislação do bloco, citando avaliações de risco sistêmico, mecanismos de mitigação e reforço de proteção a usuários mais jovens. Entre as ações destacadas estão ferramentas de verificação de idade para restringir o acesso de menores a produtos com classificação etária.
Próximos passos da investigação
Além da presença de itens ilegais, a Comissão Europeia pretende avaliar a transparência dos sistemas de recomendação que direcionam ofertas e conteúdos na plataforma. O inquérito também analisará se o modelo de incentivos ao engajamento se enquadra em práticas proibidas pela DSA.
Para a chefe de tecnologia da União Europeia, Henna Virkkunen, o objetivo é “manter os consumidores seguros, resguardar seu bem-estar e garantir que tenham acesso a informações claras sobre os algoritmos com que interagem”. A autoridade indicou ainda que o procedimento foi antecipado no mês passado, quando o bloco já havia sinalizado a possibilidade de ação formal.
No debate europeu, a Shein e sua concorrente Temu tornaram-se exemplos de preocupação com a entrada de produtos chineses de baixo custo no mercado local. O resultado da investigação poderá influenciar a forma como plataformas de comércio eletrônico operam dentro dos 27 países membros.
Fonte: g1




