NOVA YORK (EUA) – A 25 metros do nível da rua, o Federal Reserve guarda 6,3 mil toneladas de ouro de dezenas de países. Agora, após o retorno de Donald Trump ao poder, governos europeus avaliam se ainda é seguro manter ali reservas que valem mais de US$ 1 trilhão – cerca de 4% do PIB dos Estados Unidos.
- Em resumo: Temor geopolítico leva Alemanha e outros países a discutir repatriação de barras depositadas no cofre do Fed.
Por que o cofre virou motivo de alerta?
Desde os anos 1950, bancos centrais europeus transferiram ouro para Nova York para fugir da ameaça soviética e economizar com transporte e seguro. As barras repousam atrás de um cilindro de aço de 90 toneladas, cuja fechadura só se abre no dia seguinte após ser trancada.
Com Trump questionando alianças e tarifas, políticos da Alemanha – segunda maior detentora de ouro do planeta – consideram arriscado manter 1,2 mil toneladas (aprox. US$ 200 bi) fora de casa. Emanuel Mönch, ex-pesquisador do Bundesbank, defende a volta do metal para garantir “maior independência estratégica”.
“Trump é imprevisível e capaz de tudo para gerar receitas. Nosso ouro já não está seguro no cofre do Fed”, alertou Michael Jäger, da Associação Alemã de Contribuintes.
Custos, precedentes e possíveis efeitos globais
A Holanda já reduziu de 51% para 31% o montante que mantém no Fed desde 2014; a França trouxe suas barras na década de 1960, escapando de perdas quando os EUA romperam a conversibilidade do dólar em ouro em 1971.
Levar de volta toneladas de metal exige aviões, seguros e escolta militar – gastos que especialistas como Clemens Fuest, do Instituto IFO, classificam como “lenha na fogueira” da tensão atual. Ainda assim, a simples dúvida sobre a confiabilidade americana fere o pilar simbólico de Bretton Woods: os EUA como guardiões gratuitos da segurança financeira ocidental.
Para Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia em Berkeley, a saída do ouro não abalará as finanças dos EUA, mas erodirá a “boa vontade” que garante apoio a Washington em crises regionais.
Até o momento, nenhum país anunciou formalmente a retirada das reservas, mas autoridades europeias cobram do Fed – em silêncio público desde 12 de abril de 2026, data da publicação original do tema – uma declaração que sustente a confiança.
No cenário em que alianças militares e comerciais são revistas, o futuro das barras reluzentes na Liberty Street tornou-se um termômetro da relação transatlântica.
E você, acha que os bancos centrais europeus devem arriscar a remoção deste tesouro? Acompanhe mais análises na editoria de Economia.
Crédito da imagem: Divulgação / New York Fed




