O impacto do aumento para 50% das tarifas norte-americanas sobre parte dos produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto, foi mais brando do que o previsto pelo mercado. No acumulado de agosto até esta sexta-feira (16), o dólar caiu 3,62% ante o real, enquanto o Ibovespa avançou 1,98%, ficando a pouco mais de 3% de sua máxima histórica.
Exceções reduziram o choque inicial
Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o chamado “tarifaço”, investidores temeram um aumento generalizado dos custos de exportação. A ordem executiva, entretanto, manteve a alíquota de 10% para cerca de 700 itens — entre eles suco de laranja, minério de ferro, fertilizantes e componentes da aviação civil. Segundo Leonel Mattos, analista sênior da StoneX, apenas 36% dos produtos brasileiros enviados aos EUA foram efetivamente atingidos pela cobrança de 50%.
Risco já embutido nos preços
Parte da reação negativa foi antecipada em julho, mês em que o Ibovespa recuou 4,17%, o pior desempenho desde dezembro de 2024. Para Marco Noernberg, sócio da Manchester Investimentos, o mercado ajustou posições antes da vigência das tarifas, limitando o efeito sobre as cotações em agosto. O impacto estimado no Produto Interno Bruto é de 0,1 ponto percentual, insuficiente para mexer de forma sistêmica com as ações listadas.
Valorização global das moedas emergentes
A queda do dólar não se restringiu ao Brasil. Dados do Banco Central indicam que, entre 13 de julho e 13 de agosto, o real liderou os ganhos frente à divisa norte-americana (+3,7%), seguido por rand sul-africano (+1,8%), forint húngaro (+1,3%) e peso chileno (+1,2%). Mattos avalia que a redução da confiança nos EUA, motivada por incertezas políticas e sinais de estagflação, estimulou a migração de capital para outras economias.
Decisão do Fed segue no radar
Com a economia dos EUA exibindo inflação elevada e crescimento fraco, o Federal Reserve (Fed) enfrenta o dilema de cortar ou manter juros, atualmente entre 4,25% e 4,5% ao ano. A ferramenta FedWatch, da CME, mostra que 84% dos agentes projetam corte em setembro. De acordo com André Muller, da AZ Quest, um relaxamento monetário tende a enfraquecer ainda mais o dólar e a sustentar a entrada de recursos na B3.
Embora o tarifaço represente um revés para parte dos exportadores, analistas veem espaço para continuação do alívio no câmbio e para a recuperação da bolsa, condicionados principalmente à política monetária norte-americana.

Imagem: Adriana Toffetti/AtoPress. via g1.globo.com
Com informações de g1
Segundo o Banco Central do Brasil, o real não atingia nível tão valorizado desde fevereiro de 2024.
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Em resumo, a pressão tarifária dos EUA mostrou efeito limitado até o momento, enquanto a atenção de investidores se volta agora às próximas decisões do Fed. Continue acompanhando nossas coberturas e fique por dentro das mudanças que podem afetar seu bolso.
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