Brasília – Passadas três semanas desde que os Estados Unidos passaram a cobrar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o governo concluiu que o prejuízo mais significativo recairá sobre a indústria, enquanto o agronegócio tende a se ajustar com mais rapidez.
Indústria em alerta
De acordo com técnicos dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Agricultura, a maior preocupação está nos segmentos de têxteis, calçados, máquinas, equipamentos e autopeças. Esses itens costumam ser produzidos com especificações voltadas ao mercado norte-americano, o que dificulta a realocação para outros destinos.
“Produtos industriais exigem adequações técnicas que levam tempo”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, Uallace Moreira, que integra o comitê responsável pelo pacote de socorro às empresas afetadas.
Agronegócio ganha fôlego
Para o campo, o cenário se mostrou menos dramático do que o previsto no início da sobretaxa. Exportadores de carnes, café, açúcar e frutas relataram capacidade de redirecionar cargas a outros países ou, em alguns casos, manter contratos com compradores dos Estados Unidos, mesmo com o aumento de custo. A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), por exemplo, confirmou que os embarques de mangas seguem intactos.
A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, explicou que parte da produção que eventualmente fique sem destino poderá ser adquirida por meio do programa Brasil Soberano, que prevê compras públicas de alimentos.
Medidas de apoio ainda emperradas
O plano federal para mitigar perdas envolve concessão de crédito de aproximadamente R$ 30 bilhões, garantias para pequenas exportadoras e compras governamentais de produtos perecíveis – entre eles mel, castanha, uva, manga, açaí e pescado. Contudo, grande parte das ações depende de regulamentação ministerial ou da aprovação de projetos no Congresso. A primeira definição deve sair na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável por estabelecer as condições dos financiamentos.
Exportadores tentam negociar
Empresas brasileiras negociam com clientes norte-americanos a divisão dos custos adicionais causados pela tarifa. No setor de carne bovina, as vendas ao mercado dos EUA quase dobraram no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2024. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e produtores de café defendem que o governo intensifique tratativas para redução da alíquota.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), embora a China seja o principal destino das exportações brasileiras em geral, os Estados Unidos lideram a compra de bens manufaturados. Diante disso, a entidade alerta para possível perda de dinamismo industrial caso a sobretaxa seja mantida.

Imagem: g1.globo.com
O governo pretende destravar as primeiras etapas do pacote de socorro ainda nesta semana.
Com informações de g1
Dados sobre o desempenho recente da balança comercial brasileira podem ser consultados na página oficial do MDIC.
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