Único réu a comparecer presencialmente à abertura do julgamento sobre a suposta trama golpista, o general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, apresentou-se nesta terça-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) com a perspectiva de obter redução de pena ou até absolvição.
Interlocutores de dois ministros da Primeira Turma relataram que a participação do militar nos fatos investigados exige “análise detalhada” e “aprofundada”. Para esses magistrados, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) indica que Paulo Sérgio teria tentado convencer o então presidente Jair Bolsonaro a abandonar qualquer iniciativa golpista.
A defesa do ex-chefe da Defesa recebeu sinais, nas últimas semanas, de que a situação dele difere da dos demais integrantes do chamado núcleo crucial. Ainda assim, o general é questionado por:
- atuação considerada ofensiva ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e às urnas eletrônicas;
- participação em discussões sobre a “minuta golpista” depois da derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022;
- apresentação desse documento a comandantes das Forças Armadas uma semana após o ex-presidente exibi-lo pela primeira vez.
Nos memoriais finais, a PGR frisou que Paulo Sérgio alertou Bolsonaro sobre a gravidade da proposta levada aos chefes militares. Já os advogados do general sustentam que a reunião com os comandantes foi convocada exatamente para “fechar consenso contrário a qualquer medida de exceção”.
O julgamento prossegue nos próximos dias, quando os ministros avaliarão a responsabilidade individual de cada acusado.
Próximos passos
Seis réus respondem na mesma ação. Caso a Corte determine absolvição ou pena mais branda para Paulo Sérgio, o resultado poderá indicar tendência de entendimento mais flexível para outros envolvidos.
Não há previsão oficial de duração do julgamento, mas ministros ouvidos reservadamente estimam que a análise deve estender-se por, pelo menos, duas sessões.
Ao fim da primeira audiência, o general deixou o plenário sem falar com a imprensa.
Reportagem produzida em 02/09/2025.
De acordo com dados institucionais disponíveis no Supremo Tribunal Federal, a Primeira Turma é composta por cinco ministros responsáveis pelo julgamento de ações penais contra autoridades com foro privilegiado.
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Com informações de G1
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