Bruxelas – A Comissão Europeia submeterá nesta quarta-feira, 3 de setembro de 2025, o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul à avaliação dos Estados-membros e do Parlamento Europeu, etapa decisiva após 25 anos de negociações.
Trâmite de aprovação
Para entrar em vigor, o tratado precisará do aval da maioria qualificada dos governos do bloco – pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população da UE – além de votação favorável no Parlamento Europeu. Não há garantia de que os dois requisitos serão cumpridos.
Defensores e críticos
A Alemanha, a Espanha e outros países exportadores veem o acordo como alternativa para compensar perdas provocadas pela tarifa de 15% imposta pelos Estados Unidos sobre a maior parte dos produtos europeus. O entendimento também é considerado peça-chave na estratégia de reduzir a dependência de insumos da China, especialmente minerais essenciais para a transição energética.
Do outro lado, a França – maior produtora de carne bovina da UE – lidera a oposição. Agricultores franceses e de outros países argumentam que a entrada de commodities sul-americanas, sobretudo carne, não atenderia aos padrões sanitários e ambientais exigidos na Europa. Organizações ambientalistas, como a Friends of the Earth, classificam o tratado como “destruidor do clima”.
O quadro de resistência pode se ampliar caso Itália e Polônia se alinhem a Paris, cenário que tornaria difícil alcançar a maioria necessária no Conselho da UE.
Principais pontos do tratado
Concluído em dezembro de 2024 pelos dois blocos – União Europeia e Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) – o acordo prevê:
- Eliminação ou redução das tarifas sobre grande parte do comércio bilateral;
- Maior acesso europeu a mercados sul-americanos de automóveis, máquinas e produtos químicos;
- Facilidades para importação, pela UE, de minerais como lítio, relevantes para baterias;
- Abertura de mercado para vinhos, queijos e presuntos europeus;
- Cotas para exportação de carne bovina, açúcar e etanol do Mercosul.
Contexto geopolítico
Desde a reeleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em novembro passado, a Comissão Europeia intensificou negociações comerciais com vários parceiros, entre eles Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos. O pacto com o Mercosul é apresentado como o mais amplo já negociado em termos de cortes tarifários.
Analistas em Bruxelas destacam que a votação no Parlamento deverá ser acompanhada de perto por bancadas verdes e da extrema direita, ambas críticas ao tratado.
Com a proposta agora nas mãos dos legisladores e chefes de governo, o cronograma de ratificação permanece incerto, mas a Comissão afirma que o acordo é essencial para o reposicionamento comercial da União Europeia.
Com informações de G1
Mais detalhes sobre o acordo UE-Mercosul podem ser consultados no portal oficial da Comissão Europeia em ec.europa.eu.
Para acompanhar outras notícias da cena internacional, visite a seção Internacional do nosso site.
Fique por dentro de todas as atualizações: assine nossa newsletter e receba os principais destaques diretamente no seu e-mail.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








