Quem consome carne bovina no Brasil está, cada vez mais, levando carne de vaca para casa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no segundo trimestre de 2025, o número de fêmeas abatidas superou o de machos pela primeira vez desde o início da série histórica, em 1997.
Fêmeas lideram o abate
Entre abril e junho deste ano, o abate de vacas e novilhas avançou 16% em comparação com igual período de 2024. No total, 1,7 milhão de novilhas e 377 mil novilhos foram encaminhados aos frigoríficos, o que fez com que as fêmeas respondessem por 33% de todos os animais jovens abatidos.
Considerando machos e fêmeas, o volume geral de abate cresceu 3,9% frente ao segundo trimestre do ano passado.
Mercado externo influencia
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), as exportações de carne bovina devem encerrar 2025 com alta de 12% sobre 2024, mesmo em meio ao recente tarifaço. A mudança no ranking de compradores ilustra esse movimento: os Estados Unidos caíram da segunda para a quinta posição, enquanto o México triplicou as compras entre janeiro e julho.
Por que mais vacas?
Para o médico-veterinário Urbano Gomes, da Embrapa, a explicação passa pela estratégia dos produtores. O boi é engordado mais lentamente e costuma ser destinado ao mercado externo, onde recebe preço maior. Já a vaca atinge o peso de abate mais rápido e, por isso, abastece sobretudo o consumo interno.
Além dos rebanhos voltados exclusivamente ao corte de fêmeas, há ainda aquelas vacas que deixam de ser usadas para reprodução mais cedo, graças a avanços genéticos, e acabam encaminhadas aos frigoríficos.
Ciclo de retenção e oferta
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta queda de 3,5% na produção de carne bovina em 2026. A redução deve ocorrer porque os pecuaristas tendem a reter fêmeas para reprodução quando esperam alta no preço do bezerro, diminuindo a oferta de animais prontos para o abate.
O IBGE detalha essa alternância: quando o valor do bezerro sinaliza recuo, mais vacas seguem para o frigorífico, elevando a quantidade de carne no mercado e pressionando as cotações do boi gordo.
Informações adicionais sobre a pesquisa de produção pecuária podem ser consultadas diretamente no site oficial do IBGE.
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O panorama indica um momento de ajuste no rebanho nacional, com impacto direto no prato do consumidor e nas estratégias de exportação. Continue acompanhando nossas publicações para ficar por dentro dos movimentos do mercado de carnes.
Com informações de g1
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