O Banco Central divulgou nesta terça-feira (16) a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros foi mantida em 15% ao ano pelo quarto encontro consecutivo.
No documento, a autoridade monetária reconhece que a “moderação gradual da atividade” e a “diminuição da inflação corrente e das expectativas” seguem em curso, mas evita indicar qualquer prazo para o início de um ciclo de cortes na Selic, hoje no maior patamar em quase duas décadas.
Postura de cautela
O Copom reafirmou que continuará “vigilante” e não hesitará em retomar a alta dos juros caso julgue necessário. Segundo o colegiado, o cenário ainda requer uma política “significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
O mercado financeiro segue dividido sobre o momento do primeiro corte. A maioria dos analistas projeta redução apenas em março de 2025, para 14,5% ao ano.
Inflação e atividade
Para o BC, a condução cautelosa da política de juros tem contribuído para a desaceleração dos preços. Entre os pontos monitorados estão:
- ritmo da atividade econômica, sobretudo no setor de serviços;
- expectativas de inflação, que permanecem desancoradas;
- repasse do câmbio aos preços;
- balanço de riscos interno e externo;
- trajetória da inflação corrente.
A autoridade monetária destacou que o hiato do produto permanece positivo, indicando economia operando acima do potencial sem pressionar os preços no curto prazo. A última leitura do PIB mostrou redução no avanço do consumo das famílias, movimento considerado essencial para o reequilíbrio entre oferta e demanda.
Metas de inflação
Desde 2025, o sistema de metas contínuas fixa o objetivo em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. Projeções do mercado situam o IPCA em 4,36% neste ano, 4,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028, todas acima do centro da meta.
Cenário internacional e fiscal
O BC avalia que, embora o ambiente externo ainda seja incerto, houve alguma melhora com o fim do government shutdown nos Estados Unidos e o avanço das negociações comerciais. Internamente, o mercado de trabalho continua apertado, mas já apresenta sinais iniciais de desaquecimento.
O Copom reiterou que políticas fiscal e monetária devem atuar de forma harmoniosa para garantir a sustentabilidade da dívida pública e ancorar as expectativas de inflação.
Com a manutenção da Selic e o compromisso declarado de vigilância, a autoridade monetária reforça a mensagem de cautela enquanto monitora a evolução dos preços e da atividade.
Com informações de g1.globo.com
Segundo o Banco Central, mudanças na Selic impactam a economia com defasagem que pode chegar a 18 meses, motivo pelo qual as decisões atuais miram a inflação projetada para 2027.
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