Aracaju — Um grupo cada vez maior de caçadores de meteoritos atravessa continentes em busca de rochas espaciais que, no mercado de colecionadores, podem alcançar valores milionários. O norte-americano Roberto Vargas, filho de porto-riquenhos, faz parte dessa comunidade e deixou em 2021 o trabalho como terapeuta de saúde mental — salário anual entre US$ 50 mil e US$ 60 mil — para se dedicar exclusivamente à atividade.
Da curiosidade ao lucro
A trajetória de Vargas começou em 2019, quando viajou à Costa Rica após a queda de um meteorito. Mesmo sem encontrar fragmentos, voltou com peças compradas localmente e as revendeu no retorno aos Estados Unidos. Em apenas um fim de semana, faturou mais de US$ 40 mil (cerca de R$ 200 mil), quantia que, segundo ele, transformou sua vida profissional.
Como nasce um mercado
O fotógrafo musical Darryl Pitt se tornou um dos principais negociadores de meteoritos ao perceber, nos anos 1990, o potencial de leilões especializados. Ele organizou o primeiro evento do gênero e observa desde então a escalada dos preços, impulsionada por colecionadores privados.
Quanto vale uma rocha do espaço?
Segundo a professora Sarah Russell, do Museu de História Natural de Londres, o valor depende do tamanho, raridade, composição e procedência. Exemplares comuns podem custar US$ 0,20 por grama, mas peças incomuns rendem fortunas: um meteorito marciano de 24 kg foi arrematado por US$ 4,3 milhões (aproximadamente R$ 21,5 milhões) em julho, em Nova York.
Regras e controvérsias
A venda desse meteorito, encontrado no Níger em 2023, levou autoridades e acadêmicos locais a questionarem como a rocha saiu do país. O Níger não possui legislação específica para objetos extraterrestres, mas exige autorização para exportação de bens patrimoniais. Países como a Austrália proíbem a saída de meteoritos, enquanto o Reino Unido não possui leis dedicadas ao tema.
Caçadoras latino-americanas
No Brasil, o grupo Meteoríticas reúne cientistas que viajam para coletar amostras recém-caídas e destiná-las a instituições de pesquisa. Para a meteorologista Amanda Tosi, é preciso regulamentar o comércio: “Quando há mercado, as pessoas procuram e encontramos material importante, mas deve existir equilíbrio para garantir estudo científico”.
Patrimônio ameaçado
Mesmo com leis, países como a Argentina convivem com o contrabando de fragmentos do Campo del Cielo, uma das maiores concentrações de meteoritos do planeta, a mil quilômetros de Buenos Aires. O avanço do mercado privado dificulta a aquisição de amostras raras por museus e universidades, alerta a professora Russell.
Do lucro à ciência
Vargas nega ser “pirata” e afirma que parte dos achados é destinada a pesquisadores. “Queremos que essas rochas estejam nas mãos da ciência, cuidadas e estudadas”, disse.
Enquanto valores seguem em alta e legislações variam, o fascínio por fragmentos vindos do espaço mantém aquecido um comércio que mistura aventura, lucro e disputa por conhecimento.
Com informações de G1
De acordo com a NASA, o estudo de meteoritos ajuda a entender a formação do Sistema Solar, reforçando a importância de manter parte desse material em instituições de pesquisa.
Para acompanhar outras notícias internacionais que impactam ciência e economia, acesse a seção Internacional do nosso site.
Fique por dentro de tudo que acontece no universo da ciência e do empreendedorismo: compartilhe esta reportagem e assine nossas notificações.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








