Brasília – A partir deste ano, Brasil, maior fornecedor mundial de carne bovina, terá de lidar com novas cotas de importação estabelecidas por seus dois principais clientes emergentes. China e México publicaram regras que restringem o volume desembarcado em seus portos e elevam a tributação sobre as compras que excederem os limites.
Como ficam as cotas
China
- Limite de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com tarifa de importação mantida em 12%.
- Volume acima da cota pagará sobretaxa de 55%.
- O teto sobe para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão em 2028.
- Em 2025, os chineses compraram 1,6 milhão de toneladas da proteína brasileira.
México
- Importação de até 70 mil toneladas isenta de imposto.
- Acima desse volume, taxa de 20%.
- Até o anúncio, não havia tarifa sobre o produto brasileiro; em 2025, foram embarcadas 113 mil toneladas.
Risco de menores embarques
Analistas consideram a decisão chinesa mais sensível. Segundo Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, a cota equivale a cerca de 600 mil toneladas a menos que o total embarcado em 2025. Já Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea/Esalq-USP, lembra que não há garantia de que outros exportadores consigam suprir a lacuna deixada pelo Brasil, o que pode pressionar os preços internos na própria China.
Mercados alternativos
Com a redução dos volumes para Pequim e Cidade do México, frigoríficos brasileiros buscam diversificar destinos. Os Estados Unidos aparecem como principal candidato, após suspenderem tarifas adicionais sobre o produto nacional. Países como Argentina, Uruguai e Filipinas também podem absorver parte da carne redirecionada, enquanto o Japão negocia abertura gradual, mas sem expectativa de volumes expressivos no curto prazo.
Oferta interna e preços em 2026
A perspectiva de menor abate de fêmeas por causa do ciclo pecuário – fase de retenção de matrizes para reprodução – sugere redução da oferta interna ao longo do segundo semestre. Mesmo que as exportações desacelerem, especialistas projetam manutenção de preços elevados no mercado doméstico, cenário reforçado por demanda aquecida em ano de eleições e Copa do Mundo.
Nos primeiros meses, a tendência é que a indústria concentre embarques para preencher as cotas chinesas antes que o teto anual seja atingido. Depois, a menor disponibilidade de boiada pode sustentar as cotações.
Cotas detalhadas por fornecedor
Para além do Brasil, a China distribuiu limites anuais entre seus principais parceiros:
- Argentina: 511 mil t (2026), 521 mil t (2027), 532 mil t (2028)
- Uruguai: 324 mil t, 331 mil t, 337 mil t
- Nova Zelândia: 206 mil t, 210 mil t, 214 mil t
- Austrália: 205 mil t, 209 mil t, 213 mil t
- Estados Unidos: 164 mil t, 168 mil t, 171 mil t
Com limites inferiores ao histórico recente de vendas, a indústria brasileira deve reforçar negociações para aproveitar eventuais sobras de cotas de outros fornecedores.
Embora as restrições possam reduzir parte dos embarques, empresas apostam na competitividade do produto nacional – reconhecido como o mais barato entre os grandes exportadores – para manter presença relevante no mercado chinês.
Mais detalhes sobre políticas de importação de alimentos podem ser consultados na Organização Mundial do Comércio (OMC).
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As mudanças impostas por China e México reforçam a importância de diversificar mercados e monitorar o ciclo pecuário. Siga o Por Dentro para saber, em primeira mão, como essas medidas impactarão o preço da carne no seu prato.
Com informações de g1
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